Coluna Minas Gerais
Faemg mantém mobilização frente à crise do leite
FAEMG SENAR | Divulgação
A crise no setor leiteiro, agravada ao longo de 2025 e com reflexos que se estenderam para 2026, levou o Sistema Faemg Senar a intensificar ações institucionais, políticas e técnicas em defesa dos produtores rurais de Minas Gerais. Diante da queda no preço pago ao produtor e do aumento expressivo das importações de leite em pó, a entidade manteve atuação constante junto ao Governo Federal, ao Congresso Nacional e a organizações representativas do setor agropecuário.
Entre as iniciativas, o Sistema Faemg Senar promoveu, no fim de novembro de 2025, uma live especial para discutir a crise do leite, reunindo produtores, lideranças e autoridades. O encontro apresentou dados que evidenciaram o desequilíbrio do mercado: enquanto a produção nacional cresceu cerca de 10%, o consumo interno avançou apenas 2%, ao mesmo tempo em que as importações registraram alta de 7%.
Como desdobramento da mobilização, o Sistema Faemg Senar organizou uma caravana com aproximadamente 60 produtores para participar, no dia 3 de dezembro, de uma audiência pública em Brasília, requerida pela deputada federal Ana Paula Leão. A iniciativa teve como objetivo pressionar o Governo Federal diante do agravamento da concorrência com o leite em pó importado, principalmente da Argentina e do Uruguai.
| Para o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, a mobilização precisava ser estratégica. Ele destacou que não adianta adotar ações impulsivas, sendo necessário atuar com inteligência, união e presença política para que o governo compreenda a gravidade da situação e os prejuízos causados aos produtores de leite, reforçando que a articulação institucional é fundamental para transformar o cenário com apoio político e base técnica.
A audiência e as ações de articulação contaram com a participação do secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes; do presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg, Jônadan Ma; e do assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Guilherme Dias. Os representantes reforçaram a importância da união entre produtores, entidades e governos estaduais, além do papel do processo antidumping como instrumento legal para reequilibrar o mercado.
- Investigação antidumping e articulação política
A atuação do Sistema Faemg Senar esteve diretamente ligada ao acompanhamento do processo antidumping conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Após a abertura da investigação, em dezembro de 2024, o setor enfrentou novo revés em agosto de 2025, quando uma mudança na metodologia de análise passou a comparar apenas o leite em pó importado com o nacional. Essa alteração resultou em um aumento de 28% nas importações entre agosto e setembro e em nova queda nos preços pagos ao produtor.
Diante desse cenário, a Faemg, ao lado da CNA e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), participou de reuniões com autoridades federais e contribuiu com a apresentação de novas provas técnicas. Ao longo de 2025, foram realizadas três audiências públicas, fortalecendo a pressão institucional por medidas emergenciais.
O esforço resultou em um avanço importante no início de dezembro, após reunião no MDIC, em Brasília, com a presença do ministro Geraldo Alckmin e de representantes do setor. Segundo Jônadan Ma, houve a reversão do entendimento técnico que poderia interromper a investigação antidumping contra as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Com isso, o processo seguiu em andamento, abrindo a possibilidade de adoção de tarifas provisórias enquanto a apuração continuava.
- Histórico de mobilização do setor
A mobilização liderada pelo Sistema Faemg Senar em 2025 deu continuidade a um histórico de ações em defesa da pecuária leiteira. Em março de 2024, o movimento Minas Grita pelo Leite reuniu mais de 7 mil produtores rurais no Expominas, em Belo Horizonte, além de sindicatos, cooperativas e autoridades políticas. Na ocasião, foi assinado um manifesto com reivindicações como a suspensão de importações subsidiadas, renegociação de dívidas, inclusão permanente do leite em programas sociais e ampliação da fiscalização.
O Sistema Faemg Senar segue reforçando o diálogo institucional, a mobilização dos produtores e o acompanhamento técnico das políticas públicas. As ações realizadas ao longo de 2025 demonstram a atuação constante da entidade diante dos movimentos do mercado e o empenho em buscar soluções legais e estruturais para proteger a renda dos produtores de leite e a sustentabilidade da atividade em Minas Gerais.
Coluna Minas Gerais
Residência agropecuária une teoria e prática
FAEMG SENAR | Divulgação
O Programa de Residência Agropecuária é uma iniciativa do Senar Central em parceria com o Sistema Faemg Senar, voltada à capacitação prática de profissionais das Ciências Agrárias de nível técnico e superior, combinando teoria e vivência em propriedades rurais atendidas pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).
A proposta é inserir os profissionais na rotina real do atendimento rural. Durante a residência, eles acompanham visitas técnicas, supervisões, análises de indicadores produtivos e gerenciais, além de participarem de capacitações metodológicas e cursos complementares. Também passam a atuar na leitura e interpretação de dados do SISATeG, sistema que monitora resultados das propriedades assistidas.
Com duração de seis meses, de fevereiro a julho de 2026, o programa oferecerá 960 horas de formação e bolsa mensal de R$ 2.500 para 10 residentes: quatro na área de produção vegetal, quatro na produção animal e dois na área de agroindústrias. Ao final do processo, os participantes poderão ser contratados como técnicos de campo.
┃ O projeto é muito importante porque prepara os profissionais recém-formados para que desenvolvam o perfil do técnico de campo do programa ATeG. Com isso, conseguimos ser mais assertivos na contratação, trazendo um profissional que já conhece a metodologia de trabalho, possui experiência prática e contribui diretamente para o desenvolvimento técnico e gerencial das propriedades atendidas., destaca a analista técnico-gerencial do Sistema Faemg Senar, Paula Lobato.
- Formação conectada à realidade do produtor
Os residentes atuarão dentro das cadeias produtivas atendidas pela ATeG em Minas Gerais, que, neste semestre, incluem agroindústria, bovinocultura de corte e leite, cafeicultura, fruticultura, grãos e olericultura. A experiência acontece diretamente nas propriedades acompanhadas pelo programa, permitindo contato com desafios reais de gestão e produção rural, desde a análise econômica até decisões técnicas de manejo.
┃ Participar do Programa de Residência Agropecuária tem sido uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. A experiência prática possibilita vivenciar a realidade do campo, aplicar os conhecimentos adquiridos na graduação, desenvolver uma visão mais ampla sobre os desafios da atividade agropecuária e fortalecer o senso crítico, o que será muito importante para atuar futuramente de forma efetiva no desenvolvimento das propriedades rurais., afirma a médica-veterinária e técnica em Zootecnia Nathalia Camila de Souza.
- Impacto da assistência técnica em Minas
A residência está integrada ao trabalho da ATeG, que vem ampliando sua presença no estado. Em 2025, mais de 22 mil propriedades rurais foram atendidas em 777 municípios mineiros. Desde 2016, já foram realizadas mais de 840 mil visitas técnicas, com investimentos superiores a R$ 401 milhões em Minas Gerais, sendo mais de R$ 89,1 milhões apenas em 2025.
Com o programa, a expectativa é qualificar ainda mais a equipe técnica e garantir continuidade do atendimento ao produtor rural, formando profissionais já adaptados à metodologia de campo e às demandas das cadeias produtivas.
Mais do que uma etapa de aprendizado, a residência funciona como uma ponte direta entre formação acadêmica e mercado de trabalho rural, preparando uma nova geração de técnicos para atuar com eficiência, gestão e visão prática dentro das propriedades mineiras.
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