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Atribuir papel de cuidar às mulheres é uma construção social

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Delegar o cuidado da família às mulheres é uma construção social. A afirmação pautou discussões, na manhã desta terça-feira (5/3/24), no Ciclo de Debates: Precisamos falar sobre a (in)visibilidade das mulheres. O evento integra o Sempre Vivas 2024, iniciativa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para marcar o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. Os debates prosseguem à tarde.

Na mesa que abordou o desafio das mulheres na sociedade e trouxe um panorama social da mulher e seu papel de cuidado, a professora de sociologia e coordenadora do Núcleo de Estudos de Sexualidade e Gênero da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Bila Sorj, enfatizou que atribuir as tarefas relativas ao cuidado essencialmente às mulheres tem sido uma duradoura e injusta divisão sexual do trabalho.

De acordo com ela, essa questão impacta amplamente a vida das mulheres, o que vai desde a impossibilidade de se dedicar a uma profissão até optar, nas universidades, por cursos ligados ao cuidado. Depois, no mercado de trabalho, são profissões menos remuneradas, se comparadas com as escolhidas principalmente por homens, como engenharia e outras ligadas a tecnologias.

Bila Sorj salientou que delegar o cuidado estritamente às mulheres se baseia em um conceito biológico de que a mulher tem conhecimento nato sobre isso por conta da gestação, parto e aleitamento. Em sua opinião, essa noção não se sustenta.

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Diretora de pesquisa emérita no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), da França, e pesquisadora colaboradora do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Helena Hirata também destacou que o trabalho doméstico e de cuidados sempre foi considerado, no Brasil e no mundo, responsabilidade das mulheres.

“Os movimentos feministas foram os primeiros a denunciar a injustiça social acarretada por essa assimetria nas responsabilidades domésticas e de cuidados”, frisou.

Helena Hirata citou pesquisa a qual revela que 31% das mulheres dizem que o principal motivo de não terem tomado providências no sentido de conseguir trabalho foi a responsabilidade de cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos e de outros parentes.

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Cuidado é delegado sobretudo a pretas e pardas

Mestre em psicologia social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e consultora em relações étnico-raciais e de gênero, Suely Virgínia dos Santos enfatizou que a história da mulher está totalmente ligada ao tema do cuidado, sobretudo, a das pretas e pardas que, mesmo na atualidade, continuam se dedicando ao cuidado das casas e das famílias de mulheres brancas.

Virgínia dos Santos reivindicou políticas públicas para quem cuida, como apoio psicossocial, isenção em transporte e desconto em ingressos de cinema.

Concordou com ela a coordenadora-geral do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira, Makota Celinha Gonçalves, para quem as mulheres pretas são ainda mais oprimidas. “O dia 8 de março ainda é uma data para resistir. Deve servir para denunciar machismo e racismo”, disse.

Letícia Imperatriz, mulher trans, cientista social e mestranda em desenvolvimento social pela Unimontes, também salientou que a data deve ser de resistência. Ela destacou que não vê a inserção de pessoas trans no mercado de trabalho e que não há dados numéricos sobre o assunto. “O sistema nos marginaliza”, afirmou.

Subvalorização ainda é realidade

Ana Luiza de Holanda Barbosa, doutora em economia e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também frisou no debate que o trabalho em casa é subvalorizado e não remunerado em função de normas sociais e culturais e à estrutura machista que ainda persistem, e que segundo ela são institucionalizadas até no casamento.

Ela destacou que as mulheres trabalham o dobro em casa, em comparação com os homens, e avaliou, por outro lado, que somente agora está se percebendo que a igualdade de gênero no mercado de trabalho importa também pelo fator econômico.

Estudos mostraram que, de 1970 a 2010, elas responderam por 25% do aumento do PIB no período. “Ou seja, se a igualdade é sempre importante em termos de justiça e valores, esse é mais um argumento a favor, de que gera crescimento econômico”, disse Ana Luiza.

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Defesa dos direitos da mulher deve ser luta de todos

Na abertura do ciclo de debates, a procuradora da Mulher da ALMG, deputada Ione Pinheiro (União), salientou que a defesa dos direitos da mulher deve ser uma luta de todos, uma vez que o machismo é enraizado na sociedade e, para reverter isso, o processo é lento e cheio de percalços.

A deputada Leninha (PT), 1ª-vice-presidenta da ALMG, enfatizou o papel da Bancada Feminina da Assembleia, que, conforme disse, mesmo com parlamentares com visões ideológicas distintas, trabalha em unidade para conquistas das mulheres.

A deputada Ana Paula Siqueira (Rede), que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, destacou que uma sociedade justa deve respeitar o perfil demográfico da sua população.

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O presidente da ALMG, deputado Tadeu Martins Leite (MDB), que abriu o evento, disse que o valor das mulheres deve ser reconhecido em todos os espaços. Ele listou diversos desafios, como a sobrecarga derivada do papel de cuidado com a família, o assédio e a subrepresentação feminina na política. O presidente acrescentou que a ALMG é sensível a todas essas questões, com o objetivo de encontrar soluções e construir espaços mais igualitários.

Durante o evento, foi assinado acordo de cooperação técnica entre a Defensoria Pública de Minas Gerais e a ALMG. A defensora pública-geral do Estado, Raquel Gomes, afirmou que o objetivo da parceria é capacitar mulheres para serem líderes e multiplicadoras de conceitos que visem ao respeito e à igualdade de gênero.

Também compuseram a mesa da abertura do evento as deputadas Macaé Evaristo e Beatriz Siqueira, ambas do PT, Bella Gonçalves (Psol) e Lohanna (PV).

Sempre Vivas

O Sempre Vivas é uma iniciativa da ALMG, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, em parceria com coletivos, entidades e órgãos diversos. Neste ano, o tema do evento é o lugar da mulher na sociedade e como a sua invisibilidade dificulta o pleno exercício dos seus direitos, especialmente nos espaços de poder.

Fonte: Assembleia Legislativa de MG

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De campeão olímpico a campeão do povo: Maurício do Vôlei reafirma compromisso com os brasileiros e derrota o retorno do DPVAT

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Ontem foi escrita mais uma página de uma história que já inspirou milhares de brasileiros. A Câmara dos Deputados rejeitou a volta do famigerado DPVAT, o imposto que, durante anos, pesou no bolso de milhões de cidadãos. Entre os nomes que se destacaram nesta batalha, está o deputado federal Maurício do Vôlei, um homem cuja trajetória é marcada pela entrega, pela superação e pelo compromisso inabalável com a nação.

No início do ano passado, ao votar favoravelmente à retomada do DPVAT por engano, Maurício não fugiu de sua responsabilidade. Reconheceu o erro publicamente e, com humildade, pediu desculpas ao povo brasileiro, mostrando que lideranças fortes também sabem ser humanas. Desde então, o deputado trabalhou incansavelmente para provar que sua luta vai além de um voto ou de um discurso — ela é pela proteção dos valores que sustentam nosso país: a família, a fé e a liberdade.

“Sempre defenderei os brasileiros, assim como defendi as cores da bandeira nas quadras. Minha missão não mudou. Não sou daqueles que mudam de camisa para agradar ou vencer uma eleição. Fui, sou e sempre serei conservador, defensor da família, do trabalho honesto e do futuro das próximas gerações”, afirmou o parlamentar, emocionado, logo após a vitória no plenário.

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Assim como em sua carreira no vôlei, Maurício jogou limpo. Diferente de muitos que alternam entre partidos e bandeiras de acordo com o vento político, ele permaneceu firme em seus princípios no PL. Para ele, o mandato não é sobre garantir reeleição; é sobre construir um legado — um Brasil que mantenha suas raízes e seu povo livre de amarras.

Ontem, a Câmara mandou um recado claro ao país: impostos que penalizam ainda mais os trabalhadores brasileiros, como o DPVAT, não têm espaço aqui. E Maurício do Vôlei deixou registrado que está e sempre estará em defesa das pessoas que acreditam num Brasil forte e justo.

Se ontem ele estava nas quadras levantando troféus pelo Brasil, hoje ele ergue as bandeiras da família, da justiça e do povo. Maurício do Vôlei segue sendo um campeão — não só no esporte, mas na vida pública.

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