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Capacitação de profissionais e atenção individualizada podem facilitar inclusão de autistas

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A capacitação de profissionais para detectar as potencialidades das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) para atuar no mercado de trabalho, e mais ainda, para conseguir reter esses talentos nos estabelecimentos empregadores. Além disso, uma disposição real para a inclusão e o respeito, garantindo uma atenção individualizada a cada indivíduo desse segmento. Esses foram os principais atributos considerados necessários para ampliar a inserção da população com esse transtorno e outros do neurodesenvolvimento no mercado de trabalho.

Representantes de entidades de indústria, comércio, serviços e do terceiro setor que atuam na perspectiva da inclusão da pessoa com deficiência participaram de reunião da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, nesta quinta-feira (25/4/24). A audiência pública faz parte de uma série de reuniões que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) está realizando em abril, mês de conscientização sobre o autismo.

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Grazielle Pinheiro, do Coletivo Autistas Adultos e da Associação Unidas Pelo Autismo, afirmou que há uma crença de que as pessoas com TEA teriam uma capacidade reduzida, o que não é verdade. Também autista, com nível 1 de suporte, ela completou que são necessários profissionais qualificados, especialmente os terapeutas, para descobrir as potencialidades. “Os autistas têm hiperfoco e se dedicam muito quando descobrem qual é sua vantagem competitiva; é preciso conhecer as pessoas antes de dizer aonde ela pode chegar”, concluiu.

Graziele completou que muitas empresas abrem suas portas para contratação de Pessoas com deficiência (PCDs) no início, mais para cumprir a quota legal desse público. “Depois, deixam a pessoa num canto só para ganhar o selinho de empresa amiga da pessoa com deficiência”, lamentou ela, exigindo respeito e garantia de qualidade de vida para o segmento.

Ex-servidora da Prefeitura de Contagem, Graziele registrou que foi aposentada em função do dano provocado pelo assédio moral que sofreu no trabalho. Hoje, com 43 anos, disse que “não coloca mais os pés nessa cidade”. E avalia que o trabalho, tanto pode contribuir para o crescimento da pessoa quanto para levá-la ao chão. Com diagnóstico recente de TEA, concluiu que ele foi importante para que conhecesse suas limitações e dificuldades, além das potencialidades e, com isso, relacionar-se melhor na sociedade.

Qualificação

Mariana Dias, analista de recursos humanos da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), disse que trabalhar com inclusão faz parte da essência da entidade. Informou que é discutida com assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e pessoal de recursos humanos a inserção da PCD de forma individualizada, levando em conta as necessidades de cada um. Há também uma preocupação com a realização de processos seletivos, que devem ser adaptados às necessidades desse público, para que cada indivíduo possa mostrar todas as suas potencialidades e ser aprovado.

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Juliana Resende, coordenadora de diversidade, equidade e inclusão do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), registrou que a preocupação é com a inclusão tanto do público interno (professores) quanto do externo (alunos). Divulgou que são acompanhados 3 mil alunos nas 40 escolas do Senac e que são providenciadas adaptações para melhor atender aos PCDs. E destacou que a entidade busca ampliar a acessibilidade em suas unidades, tanto arquitetônica quanto as acessibilidades atitudinal e comunicacional.

Já Gilsane Rodrigues, gerente de saúde do Serviço Social do Comércio (Sesc) anunciou que será inaugurada em breve uma unidade na Capital dotada de todos os equipamentos e profissionais para atender pessoas com deficiência. O deputado Cristiano Silveira (PT), que solicitou a audiência, agradeceu à gestora e lembrou que a proposta surgiu em uma reunião na ALMG.

Alessandra Rubim, analista de Projetos Sociais da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) afirmou que falar de diversidade e inclusão é falar de engajamento, o que impõe lutar contra o preconceito e pela mudança de cultura.

Retenção de talentos

Alexandre Dolabella, assessor de Relações Institucionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas (Fecomércio/MG), falou da diferença entre o chefe e o líder. “O líder vê o que cada pessoa tem de bom e tenta tirar dela o melhor. Ele realçou que o Sesc emprega vários autistas, a maioria na área de tecnologia, “onde são craques” nela.

O professor Willian Zenon, da área de projetos especiais da Faculdade Anhanguera, destacou a importância de projetos em empresas voltados para a retenção de talentos também das pessoas com TEA. “O cidadão é contratado para determinada função, mas a empresa descobre que ele tem aptidão para outra área”, explicou, completando que, detectada essa distorção, busca-se realocá-lo. Reforçou ainda que o mundo vive a quarta revolução industrial e que, na realidade tecnológica atual, há acessibilidade para todo ser humano, inclusive o autista.

Assprom acolheu cerca de 150 mil adolescentes em 48 anos

Carlos Augusto Cateb, presidente da Associação Profissionalizante do Menor (Assprom), lembrou que, em 48 anos, a entidade acolheu cerca de 150 mil adolescentes carentes, muitos com alguma limitação, oferecendo-lhes uma oportunidade no mercado de trabalho. “Temos 86 pessoas com deficiência trabalhando na Assprom, e aprendendo, sentindo-se gente, como todos os outros funcionários”, deu seu depoimento. Acrescentou que cerca de cem alunos por ano fazem o ENEM, obtendo notas altas: “São pessoas pobres que não teriam chance se não fosse pela Assprom”.

Por outro lado, lamentou que grande parte dos empresários se recusa a fazer esse mesmo acolhimento e defendeu campanhas de sensibilização para que isso mude. Cenário parecido, apontou ele, observa-se no serviço público, com raro acolhimento de PCDs.

Kelly Pires, técnica administrativa da Assprom, mãe e tia de autistas, declarou que trabalha há 11 anos com esse público. E reforçou as palavras de Cateb, ao dizer que a inclusão precisa ser mais efetiva, inclusive com contratação de mais pessoas qualificadas e capacitadas para lidar com os autistas.

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Depoimento

O autista Arthur Campos, de 23 anos, deu seu depoimento, afirmando que trabalha há cinco anos na Asprom, nas áreas de atendimento e auxiliar de escritório. Ele já fez cursos de digitação, informática, atendimento, português e inglês. Diante desses depoimentos, Alexandre Dolabella disse que levaria o pleito da Assprom à direção da Fecomércio, visando à maior aceitação de adolescentes e autistas.

Gustavo Rocha, coordenador do projeto Montando um Time, defendeu a criação, por parte dos governos, de políticas de incentivo à inclusão do autista no mercado de trabalho. Pai de cinco filhos, sendo duas crianças autistas, afirmou que o problema da empregabilidade não o atinge diretamente, mas já o aflige, pois enfrentou dificuldades para colocar essas duas na mesma escola dos outros irmãos.

Nessa perspectiva, Cynthia Abi Habib, da Associação da Síndrome de Asperger, afirmou ter encontrado uma fundação dinamarquesa que faz a ponte entre grandes empresas e pessoas com autismo dispostas a trabalhar. “A SAP tem interesse de incluir 1 milhão de autistas no mundo; também a Intel e o Itaú querem contratar”, declarou.

Cerca de 85% dos autistas estão fora do mercado

Carlos Calazans, superintendente regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, disse que o órgão faz duas reuniões anuais com empresários de todos os setores para discutir o cumprimento das quotas de vagas para PCDs. Ele informou que, no Pais, 85% dos autistas, cerca de 1,7 milhão de pessoas, estão fora do mercado de trabalho. Além disso, 546 mil PCDs estão empregadas atualmente, sendo 341 mil homens e 204 mil mulheres. E em média, essas pessoas recebem 20% menos que as sem deficiência.

O deputado Leleco Pimentel (PT) valorizou a audiência como meio de abordar relações éticas, humanas e das condições de sobrevivência das pessoas. “O mundo do trabalho é que nos dá a possibilidade de recorrer aos benefícios da Previdência Social e, antes de mais nada, de sermos reconhecidos nesse mercado”, avaliou.

Providências

Ao final da reunião, Cristiano Silveira anunciou requerimentos de providências a entidades diversas, a serem aprovados na próxima reunião. Vai solicitar ao Ministério do Trabalho a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de estudar medidas a serem adotadas pelo Governo Federal para fomentar a empregabilidade de pessoas com autismo. Também solicitará à Fiemg e à Fecomércio a realização de campanhas de incentivo à contratação de pessoas com TEA pelas empresas.

Fonte: Assembleia Legislativa de MG

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ESPORTES

De campeão olímpico a campeão do povo: Maurício do Vôlei reafirma compromisso com os brasileiros e derrota o retorno do DPVAT

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Ontem foi escrita mais uma página de uma história que já inspirou milhares de brasileiros. A Câmara dos Deputados rejeitou a volta do famigerado DPVAT, o imposto que, durante anos, pesou no bolso de milhões de cidadãos. Entre os nomes que se destacaram nesta batalha, está o deputado federal Maurício do Vôlei, um homem cuja trajetória é marcada pela entrega, pela superação e pelo compromisso inabalável com a nação.

No início do ano passado, ao votar favoravelmente à retomada do DPVAT por engano, Maurício não fugiu de sua responsabilidade. Reconheceu o erro publicamente e, com humildade, pediu desculpas ao povo brasileiro, mostrando que lideranças fortes também sabem ser humanas. Desde então, o deputado trabalhou incansavelmente para provar que sua luta vai além de um voto ou de um discurso — ela é pela proteção dos valores que sustentam nosso país: a família, a fé e a liberdade.

“Sempre defenderei os brasileiros, assim como defendi as cores da bandeira nas quadras. Minha missão não mudou. Não sou daqueles que mudam de camisa para agradar ou vencer uma eleição. Fui, sou e sempre serei conservador, defensor da família, do trabalho honesto e do futuro das próximas gerações”, afirmou o parlamentar, emocionado, logo após a vitória no plenário.

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Assim como em sua carreira no vôlei, Maurício jogou limpo. Diferente de muitos que alternam entre partidos e bandeiras de acordo com o vento político, ele permaneceu firme em seus princípios no PL. Para ele, o mandato não é sobre garantir reeleição; é sobre construir um legado — um Brasil que mantenha suas raízes e seu povo livre de amarras.

Ontem, a Câmara mandou um recado claro ao país: impostos que penalizam ainda mais os trabalhadores brasileiros, como o DPVAT, não têm espaço aqui. E Maurício do Vôlei deixou registrado que está e sempre estará em defesa das pessoas que acreditam num Brasil forte e justo.

Se ontem ele estava nas quadras levantando troféus pelo Brasil, hoje ele ergue as bandeiras da família, da justiça e do povo. Maurício do Vôlei segue sendo um campeão — não só no esporte, mas na vida pública.

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