Política

Comissão ouve denúncias de irregularidades em processos de adoção

Publicados

em

Imagem

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher recebeu denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes devido a decisões judiciais que determinaram o seu encaminhamento às famílias biológicas, onde eram vítimas de abusos. A reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) foi realizada nesta quinta-feira (25/5/23), data em que se comemora o Dia Nacional da Adoção.

Botão

A advogada do Grupo de Apoio à Adoção de Belo Horizonte, Viviane de Oliveira Costa, reclamou de decisões judiciais que priorizaram os vínculos familiares, em detrimento do melhor interesse das crianças e adolescentes.

Ela citou o caso de uma criança que acabou afastada da família adotiva por uma sentença que determinou o seu retorno à família biológica, onde ela era vítima de abuso sexual. De acordo com Viviane, a família adotiva conseguiu continuar com a criança, mas vive angustiada porque obteve apenas uma guarda provisória.

Outro caso apresentado pela representante do Grupo de Apoio à Adoção diz respeito a três irmãs que foram afastadas da família adotiva para serem devolvidas à família biológica, onde também eram vítimas de abuso sexual. Segundo Viviane, a decisão judicial não levou em consideração os depoimentos das crianças e nem mesmo o laudo médico que havia atestado o rompimento de hímen das meninas.

Em depoimento em vídeo, uma família que não quis se identificar reclamou de uma decisão da Vara da Infância e Juventude que determinou o encaminhamento de seu filho adotivo aos pais biológicos. A sentença teria sido proferida à revelia do casal, que alega ter sido surpreendido quando o processo foi concluído. Eles conseguiram reverter a decisão em 1º grau, mas ainda há recursos interpostos em 2º grau.

Essa criança foi afastada dos pais biológicos porque foi internada com 18 dias de vida com lesões graves. Os pais foram autuados por maus-tratos, mas o inquérito policial não foi concluído, segundo Larissa Fernanda Machado Jardim, também advogada do Grupo de Apoio à Adoção. Para ela, casos como esse atestam que a situação de muitas famílias adotivas é aterrorizante por causa da insegurança jurídica.

Para Viviane de Oliveira Costa, esses casos não são isolados. “Para grande parte da sociedade, a adoção é entendida como forma de formação de uma subfamília. A Justiça dá tratamento de seres humanos de segunda categoria para as crianças e adolescentes na fila da adoção”, afirmou. Ela pediu que os direitos dessas crianças e adolescentes sejam respeitados. “Não podemos mais ser omissos e negligentes”, continuou.

Leia Também:  Projeto sobre assistência religiosa passa pela Comissão de Cultura

Entre idas e vindas, processos de adoção demoram anos

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, o prazo para conclusão de um processo de adoção é de 120 dias. Mas alguns processos chegam a durar quase dez anos. É o caso do casal Carolina e Manuel Bella, que esperaram anos para obter a guarda definitiva de sua filha Vitória.

Vivi, que já tem 11 anos, foi adotada com três anos e meio de idade. Carolina ainda se lembra do dia em que a filha entrou no carro da família pela primeira vez, no feriado de carnaval de 2015. Foi quando a Justiça concedeu o estágio de convivência com os pais adotivos.

“Eu senti um frio na barriga gigantesco, pois sabia que minha vida nunca mais seria a mesma. Era um deslumbramento tão grande, que eu não conseguia nem falar. Eu só peguei uma boneca e um arquinho de cabelo e deu pra ela”, contou Carolina.

A guarda provisória veio em junho daquele mesmo ano. Em 2019, saiu a sentença de destituição do poder familiar. Mas, no final de 2020, uma reviravolta: uma decisão judicial de 2º grau determinou a devolução da menina para a avó biológica. “Aquilo foi destruidor, uma bomba nuclear na minha vida. Foi uma decisão truculenta, brutal e desrespeitosa”, disse Carolina.

Depois de ver o chão sumir sob seus pés, Carolina, juntamente com o marido Manuel, decidiu lutar para reverter a decisão judicial. Eles chegaram a fazer um protesto em frente ao Tribunal de Justiça, mas não foram ouvidos. Pela internet, organizaram uma petição pedindo providências ao Conselho Nacional de Justiça. O movimento #ficavivi obteve o apoio de 500 mil pessoas.

Em 2021, a família conseguiu uma liminar no Superior Tribunal de Justiça (STJ) revertendo a decisão do Tribunal de Justiça. A adoção foi deferida por uma decisão de 1º grau em outubro do ano passado.

“Era uma tarde chuvosa e fria, quando recebi a notícia por telefone. Ela viu de longe que eu estava chorando e perguntou: ‘Acabou?’. ‘Acabou’, eu respondi”, continuou Carolina. Entre idas e vindas na Justiça, a história teve um ponto final em abril deste ano, quando a sentença judicial do processo de adoção transitou em julgado. Com isso, Carolina e Manuel puderam respirar aliviados.

Imagem

“Hoje sou amada e cuidada por todos à minha volta. Todas as crianças nos abrigos merecem ter uma nova vida, uma nova família. Elas merecem ter um amor inigualável”, disse a pequena Vivi para a plateia emocionada com sua história.

Leia Também:  Medalha Santos Dumont tem dia e horário definidos

Demora na adoção causa danos psicológicos nas crianças

A demora no andamento dos processos judiciais de adoção também foi atestada por Luís Marcelo Vieira Karam, que dirige a Casa Lucas, instituição que acolhe crianças à espera de uma nova família. Segundo ele, é muito comum crianças esperarem por três ou quatro anos nas casas de acolhimento.

Luís Marcelo contou o caso de três irmãos que chegaram à Casa Lucas em 2019, vindas de outra instituição onde estavam desde 2017, e até hoje não foram adotadas. Por conta de recursos interpostos e anulação de decisões de 1ª instância, o processo de adoção foi paralisado em 2019. Ele próprio teve que provocar o STJ para que a ação tivesse prosseguimento.

Áudio

As crianças à espera de um novo lar sofrem com a demora nos processos de adoção. Segundo a psicóloga Roseane Linhares, que também é mãe do coração, as idas e vindas nas tentativas de ajuste com a família biológica causam danos psicológicos imensuráveis às crianças. Entre esses danos, estão as dificuldades para gerar vínculos com as pessoas e para aceitar ajuda.

Deputada vai cobrar providências do TJ

A presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Ana Paula Siqueira (Rede), considerou absurdas as situações relatadas na audiência pública. “Quantas idas e vindas! Quanto sofrimento! Quanta dor! Precisamos chamar a atenção da sociedade para evitar novas violações dos direitos dessas crianças e adolescentes pelo Estado e pelo Poder Judiciário”, afirmou.

A parlamentar lembrou que quase 600 crianças e adolescentes aguardam na fila de adoção em Minas Gerais e ressaltou que eles têm direito a uma família.

Citação

A comissão vai cobrar providências para os problemas relatados durante a audiência. Conforme adiantou Ana Paula Siqueira, será agendada uma reunião com desembargadores do Tribunal de Justiça para tratar dos processos judiciais de adoção.

Fonte: Assembleia Legislativa de MG

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

ESPORTES

De campeão olímpico a campeão do povo: Maurício do Vôlei reafirma compromisso com os brasileiros e derrota o retorno do DPVAT

Publicados

em

Ontem foi escrita mais uma página de uma história que já inspirou milhares de brasileiros. A Câmara dos Deputados rejeitou a volta do famigerado DPVAT, o imposto que, durante anos, pesou no bolso de milhões de cidadãos. Entre os nomes que se destacaram nesta batalha, está o deputado federal Maurício do Vôlei, um homem cuja trajetória é marcada pela entrega, pela superação e pelo compromisso inabalável com a nação.

No início do ano passado, ao votar favoravelmente à retomada do DPVAT por engano, Maurício não fugiu de sua responsabilidade. Reconheceu o erro publicamente e, com humildade, pediu desculpas ao povo brasileiro, mostrando que lideranças fortes também sabem ser humanas. Desde então, o deputado trabalhou incansavelmente para provar que sua luta vai além de um voto ou de um discurso — ela é pela proteção dos valores que sustentam nosso país: a família, a fé e a liberdade.

“Sempre defenderei os brasileiros, assim como defendi as cores da bandeira nas quadras. Minha missão não mudou. Não sou daqueles que mudam de camisa para agradar ou vencer uma eleição. Fui, sou e sempre serei conservador, defensor da família, do trabalho honesto e do futuro das próximas gerações”, afirmou o parlamentar, emocionado, logo após a vitória no plenário.

Leia Também:  Ocupação de áreas de redes de transmissão será tema de audiência

Assim como em sua carreira no vôlei, Maurício jogou limpo. Diferente de muitos que alternam entre partidos e bandeiras de acordo com o vento político, ele permaneceu firme em seus princípios no PL. Para ele, o mandato não é sobre garantir reeleição; é sobre construir um legado — um Brasil que mantenha suas raízes e seu povo livre de amarras.

Ontem, a Câmara mandou um recado claro ao país: impostos que penalizam ainda mais os trabalhadores brasileiros, como o DPVAT, não têm espaço aqui. E Maurício do Vôlei deixou registrado que está e sempre estará em defesa das pessoas que acreditam num Brasil forte e justo.

Se ontem ele estava nas quadras levantando troféus pelo Brasil, hoje ele ergue as bandeiras da família, da justiça e do povo. Maurício do Vôlei segue sendo um campeão — não só no esporte, mas na vida pública.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

ALPINÓPOLIS E REGIÃO

MINAS GERAIS

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA