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Cultura também é pilar da economia, mas informalidade ainda é a regra

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Embora animadores, os dados revelados pelo estudo “Dez anos de economia da cultura no Brasil e os impactos da Covid-19 – um relatório a partir do Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural” podem ser apenas a ponta de um iceberg da verdadeira participação do setor na economia nacional.

Essa foi a principal conclusão dos participantes da audiência pública realizada na tarde desta quarta-feira (31/5/23) pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O debate foi solicitado pelo presidente da comissão, deputado Professor Cleiton (PV), e pelas deputadas Lohanna (PV), vice-presidenta, e Macaé Evaristo (PT).

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O estudo aborda três eixos: financiamento público, trabalhadores e empresas criativas e comércio internacional de produtos e serviços criativos. Mas foi consenso entre os participantes que o nível de informalidade do setor, sobretudo nas suas manifestações mais orgânicas, aponta para a necessidade de pesquisas mais abrangentes e políticas mais capilarizadas e diretas que contemplem, por exemplo, setores como o da música, artesanato regional e manifestações folclóricas.

Ainda assim, o relatório, publicado em abril, a economia da cultura e das indústrias criativas movimentou, em 2020, R$ 230,1 bilhões, o que representou 3,11% do PIB nacional naquele ano.

O maior mérito dele, na avaliação dos participantes da audiência, é contrariar o senso comum e assim ajudar a superar preconceitos, pois por ele o setor já teria ultrapassado segmentos importantes da economia brasileira, como a indústria automobilística, que respondeu por 2,1% do PIB no mesmo ano.

De acordo com o estudo do Observatório Itaú Cultural, em 2020 o setor empregou 7,4 milhões de trabalhadores e abrigou 130 mil empresas. Mas a percepção de subdimensionamento é embasada sobretudo na metodologia do estudo, que focou tanto na economia da cultura quanto nas indústrias criativas, incluindo segmentos tão diversos como moda, artesanato, rádio e TV, música, desenvolvimento de games, arquitetura, publicidade, design, teatro e artes visuais.

O contraste entre o vínculo empregatício formal ou ao menos mensurável e a histórica informalidade entre os setores pesquisados foram destacados pela pesquisadora em Ciências Sociais e Humanas, Paula Ziviani, e pelo músico e produtor cultural Makely Oliveira Soares Gomes.

“Apesar de ser um indicador interessante, o estudo não dá conta de todo o universo cultural, a grande maioria na informalidade. Todas as cidades mineiras têm atividade musical de natureza diversa. E todo mundo conhece um músico que trabalha na noite e não tem contrato. Quanto o Congado e o Reisado movimenta pelo interior? E o Carnaval ou as Festas de São João?”, apontou o primeiro.

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Makely Gomes lembrou que o poder público deve investir em cultura porque isso é uma obrigação prevista na Constituição Federal. E da mesma forma mapear devidamente o setor, como por meio do Censo, para formular políticas públicas mais efetivas. “E o PIB não mede qualidade de vida, saúde mental ou satisfação pessoal. Foi a cultura que segurou a onda das pessoas na pandemia”, lembrou.

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Como pesquisadora na área cultural, Paula Ziviani lembrou os diversos desafios metodológicos com as bases de dados existentes. “O mercado da cultura e o mercado criativo têm lógicas diferentes. Nem todo mercado criativo é cultural e a gente sabe bem que a maior parte deste último é informal”, aponta.

Segundo ela, enquanto a economia criativa tem como base a tecnologia, na cultura poucas organizações garantem trabalho assalariado permanente e o setor vive, quando mais organizados, de projetos com vínculos temporários, o que não chega a ser uma precarização. “São dinâmicas de trabalho muito diferentes. Apesar disso precisamos melhorar o sistema de proteção a esse trabalhador, pensando no caso de doenças, invalidez ou mesmo aposentadoria”, analisou.

Maioria no público que participou da reunião da Comissão de Cultura, os representantes da moda, setor mais ligado à indústria criativa, ainda sentem dificuldade de se associarem com a cultura, conforme reconheceu a articuladora da Frente da Moda Mineira, Giovanna Penido, que ocupa a cadeira de Moda da Conselho Cultural de Política Cultural (Consec).

“Essa dicotomia é real. Ainda temos que nos reconhecer como agentes culturais. Estamos alegres com a importância da moda no estudo, mas, por exemplo, ainda não temos facilidade para lidar com os editais do setor”, disse.

Financiamento ainda tem gargalos a superar

Professor Cleiton concordou com as avaliações de subdimensionamento do setor, mas apontou que o estudo trouxe alertas importantes como a vulnerabilidade da mulher nos segmentos pesquisados, já que 69% dos homens ganham a mais do elas. Da mesma forma, a questão racial também é urgente, já que brancos são 64% mais bem remunerados do que pretos e pardos.

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Outro aspecto destacado por ele diz respeito aos gargalos do financiamento da cultura, que está entre os tópicos levantados pelo estudo do Observatório Itaú Cultural, que pesquisou, por exemplo, a execução orçamentária por parte das secretarias estaduais de cultura em 2020. Nessa tópico entram, por exemplo, instrumentos como a Lei Aldir Blanc e, agora, a Lei Paulo Gustavo, além, claro, da tradicional Lei Rouanet.

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“A cultura significa desenvolvimento sustentável e faz muita diferença na vida das pessoas, inclusive para nossa saúde mental, pois nos torna mais potentes na nossa humanidade”, acrescentou Macaé Evaristo. Já Leleco Pimentel (PT) lembrou a importância do poder público no fomento à cultura, papel que segundo ele foi relegado nos últimos anos em nível estadual e federal.

Nessa linha, o presidente da Comissão Extraordinária de Turismo e Gastronomia, Mauro Tramonte (Republicanos), lembrou que somente em 2021, após aprovação de projeto de sua autoria, caiu a proibição de que o Executivo pudesse fazer publicidade dos atrativos mineiros, a maioria deles ligados à cultura, em outros estados.

Fundo Estadual de Cultura também é ferramenta de fomento

Por fim, o subsecretário de Cultura da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), Igor Arci Gomes, reforçou a importância do estudo debatido na audiência e avaliou que Minas sempre larga na frente quando o assunto é cultura.

“As manifestações de estados como São Paulo não têm identidade. Já a criatividade mineira é identificável, sabemos notar rapidamente um artesanato do Vale do Jequitinhonha”, afirmou.

“Ainda faltam mais informações. O estudo até trouxe alguns números, mas o desafio agora é definir: o que nós vamos fazer com eles?”, pontuou. Ele destacou a importância do Fundo Estadual de Cultura, cujos recursos chegam em setores sem visibilidade superando até mesmo as leis de incentivo.

E lembrou ainda a articulação em andamento entre secretarias de Cultura de todo o país para fomentar novas ações e melhorar o arcabouço legal, sobretudo voltado para as regiões Sudeste e Sul, que detém juntas 69% do PIB nacional.

Fonte: Assembleia Legislativa de MG

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De campeão olímpico a campeão do povo: Maurício do Vôlei reafirma compromisso com os brasileiros e derrota o retorno do DPVAT

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Ontem foi escrita mais uma página de uma história que já inspirou milhares de brasileiros. A Câmara dos Deputados rejeitou a volta do famigerado DPVAT, o imposto que, durante anos, pesou no bolso de milhões de cidadãos. Entre os nomes que se destacaram nesta batalha, está o deputado federal Maurício do Vôlei, um homem cuja trajetória é marcada pela entrega, pela superação e pelo compromisso inabalável com a nação.

No início do ano passado, ao votar favoravelmente à retomada do DPVAT por engano, Maurício não fugiu de sua responsabilidade. Reconheceu o erro publicamente e, com humildade, pediu desculpas ao povo brasileiro, mostrando que lideranças fortes também sabem ser humanas. Desde então, o deputado trabalhou incansavelmente para provar que sua luta vai além de um voto ou de um discurso — ela é pela proteção dos valores que sustentam nosso país: a família, a fé e a liberdade.

“Sempre defenderei os brasileiros, assim como defendi as cores da bandeira nas quadras. Minha missão não mudou. Não sou daqueles que mudam de camisa para agradar ou vencer uma eleição. Fui, sou e sempre serei conservador, defensor da família, do trabalho honesto e do futuro das próximas gerações”, afirmou o parlamentar, emocionado, logo após a vitória no plenário.

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Assim como em sua carreira no vôlei, Maurício jogou limpo. Diferente de muitos que alternam entre partidos e bandeiras de acordo com o vento político, ele permaneceu firme em seus princípios no PL. Para ele, o mandato não é sobre garantir reeleição; é sobre construir um legado — um Brasil que mantenha suas raízes e seu povo livre de amarras.

Ontem, a Câmara mandou um recado claro ao país: impostos que penalizam ainda mais os trabalhadores brasileiros, como o DPVAT, não têm espaço aqui. E Maurício do Vôlei deixou registrado que está e sempre estará em defesa das pessoas que acreditam num Brasil forte e justo.

Se ontem ele estava nas quadras levantando troféus pelo Brasil, hoje ele ergue as bandeiras da família, da justiça e do povo. Maurício do Vôlei segue sendo um campeão — não só no esporte, mas na vida pública.

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