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Moradores denunciam abusos da Vale em Barão de Cocais

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A madrugada do dia 8 de fevereiro de 2019 ainda está na memória de muitos moradores de Barão de Cocais, na Região Central do Estado. Ao som de sirenes, eles tiveram que deixar suas casas às pressas, com a “roupa do corpo”, sob o risco de rompimento da barragem Sul Superior da mineradora Vale. O drama, porém, estava só começando. Passados quatro anos, as denúncias são de reiterados abusos por parte da empresa.

Vários desses moradores foram ouvidos pela Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), durante visita realizada nesta sexta-feira (4/8/23) à cidade. Gente que perdeu a profissão, o modo de vida, o contato com os vizinhos. Gente que se viu sem renda e sem saída a não ser vender suas terras para a mineradora, quebrando o vínculo comunitário.

Quatro comunidades foram impactadas diretamente. Socorro – que permanece em risco pois está dentro da estrutura de contenção construída pela Vale para, supostamente, segurar um eventual rompimento – Piteiras, Tabuleiro e Vila do Gongo. Elida Couto morava em Socorro e só pode retornar após o descomissionamento. “A informação que temos é que 10,6% do serviço foi feito até agora. A previsão era 2029, agora já se fala em 2032”, lamenta.

Segundo a moradora, 70% dos vizinhos venderam suas casas. “Nesse grupo, há os que receberam e os que tomaram calote”, conta, reforçando denúncia que já havia sido feita por outros participantes. As casas que não foram compradas pela Vale, segundo ela, foram abandonadas e saqueadas. Mas Elida está sendo processada porque entrou na própria casa e na igreja da comunidade capinar e limpar. “Há vizinhos que não vejo há quatro anos. Mas minha propriedade não tem preço. Quero voltar para casa”, afirma.

Na estrada da Vila do Gongo, liberada há apenas quatro dias para a volta dos moradores e também para o intenso trânsito dos caminhões de minério, é possível constatar muitas casas pintadas e bem cuidadas, todas com a mesma placa de propriedade privada nas cores da empresa, enquanto outras estão tragadas pelo mato. Vários participantes apontaram que a atividade minerária aumentou na área após esse processo de compra dos terrenos.

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Tática é dividir e minar resistências, diz liderança

Das 159 famílias que se uniram para resistir e buscar ajuda, apenas 14 permanecem. A conta é de Nicolson Pedro de Resende, para quem a Vale usa em Barão de Cocais as mesmas estratégias vistas em Mariana (Central) e Brumadinho (RMBH), de dividir as famílias, buscar acordos individuais e minar as resistências, se valendo das dificuldades financeiras das famílias. “Não temos profissão pra viver na cidade. Lá tínhamos tudo. Aqui dependemos da alface da Vale”, reforça.

Segundo Nicolson, a empresa descumpriu acordos e, com a conivência de autoridades, cortou também a renda emergencial que vinha sendo paga às famílias. “Eles nos tiraram de lá para explorar o chamado Projeto Apolo”, sustenta. Segundo o morador, tudo o que os moradores conseguiram com a empresa, como o mobiliário para as moradias provisórias, foi depois de muita luta. “Ela não queria dar nada”, diz.

Ele também lamenta que 19 pessoas retiradas das comunidades já morreram nesse período, sem uma assistência médica adequada. “É um plano diabólico e inteligente para retirar a comunidade de uma área com grande potencial minerário. Só resistem os que não abrem mão de tudo o que construíram”, reforçou Djavan Marques, representante do sindicato e da federação dos trabalhadores em indústrias extrativistas.

Foram vários os relatos durante a conversa com os moradores. Adriana Duarte foi uma das primeiras a vender a propriedade de 89 hectares, onde cultivava orgânicos. “Mesmo decepcionada com a proposta, aceitei. Fiquei com medo”, conta. O valor foi pago, segundo ela, um ano e dez meses depois, sem nenhuma correção. “Hoje sei o que perdi”, arrepende-se.

Iriléia Mendonça era cabeleireira há 32 anos. Perdeu o salão e as clientes. Sua nova casa é distante e ela acabou optando por trabalhar como motorista. Wilma Aparecida Marques tem dificuldade de receber qualquer indenização porque a propriedade centenária de sua família era usada nos finais de semana. “Disseram que eu não tenho direito porque não morava lá”, revolta-se.

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O vereador Rafael Gomes salienta que falta também critério para a Vale, já que alguns sitiantes foram indenizados e isso foi negado a Wilma. Ele também cobrou do governador Romeu Zema a ajuda da Defensoria Pública, que teria sido prometida. Segundo Nicolson, foram apenas quatro encontros, sendo dois em Barão de Cocais e dois em Belo Horizonte. “O turismo, a agricultura familiar, tudo se desestruturou, e autoridades ficaram em silêncio”, cobrou o vereador.

Deputada propõe denúncia internacional

A deputada Beatriz Cerqueira (PT), autora do requerimento para a visita, propôs, ao final do encontro com as famílias, fazer uma denúncia de violação de direitos contra a Vale em organismos internacionais. “Não podemos conviver com a invisibilidade do que vocês sofrem”, argumentou. Ela também se comprometeu a cobrar atuação da Defensoria Pública no caso.

O coordenador estadual do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Luiz Paulo Guimarães, enumerou também as reivindicações da comunidade, que incluem a garantia de participação social no acordo de reparação e no descomissionamento da mina; a revisão de processos de negociação nos quais a Vale impôs condições de compra dos terrenos; e uma indenização coletiva a Barão de Cocais, entre outros itens.

Visita

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Após a reunião com as famílias, a deputada Beatriz Cerqueira e parte da equipe técnica da ALMG estiveram com representantes da Vale e visitaram a região da barragem, onde conversaram sobre questões operacionais. De acordo com a parlamentar, restaram dúvidas sobre os critérios de acionamento de sirenes; relatórios de monitoramento e a carta de risco da estrutura não estão disponíveis; e a empresa se contradisse em relação ao fator de segurança da barragem.

A Vale também informou que apenas 5% da barragem foi descomissionada e que o prazo estimado para o fim desse trabalho é 2029. “Vamos realizar uma audiência pública para discutir em profundidade essas questões”, anunciou a parlamentar, durante entrevista interrompida diversas vezes por uma sirene da empresa, em uma região já evacuada.

Fonte: Assembleia Legislativa de MG

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ESPORTES

De campeão olímpico a campeão do povo: Maurício do Vôlei reafirma compromisso com os brasileiros e derrota o retorno do DPVAT

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Ontem foi escrita mais uma página de uma história que já inspirou milhares de brasileiros. A Câmara dos Deputados rejeitou a volta do famigerado DPVAT, o imposto que, durante anos, pesou no bolso de milhões de cidadãos. Entre os nomes que se destacaram nesta batalha, está o deputado federal Maurício do Vôlei, um homem cuja trajetória é marcada pela entrega, pela superação e pelo compromisso inabalável com a nação.

No início do ano passado, ao votar favoravelmente à retomada do DPVAT por engano, Maurício não fugiu de sua responsabilidade. Reconheceu o erro publicamente e, com humildade, pediu desculpas ao povo brasileiro, mostrando que lideranças fortes também sabem ser humanas. Desde então, o deputado trabalhou incansavelmente para provar que sua luta vai além de um voto ou de um discurso — ela é pela proteção dos valores que sustentam nosso país: a família, a fé e a liberdade.

“Sempre defenderei os brasileiros, assim como defendi as cores da bandeira nas quadras. Minha missão não mudou. Não sou daqueles que mudam de camisa para agradar ou vencer uma eleição. Fui, sou e sempre serei conservador, defensor da família, do trabalho honesto e do futuro das próximas gerações”, afirmou o parlamentar, emocionado, logo após a vitória no plenário.

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Assim como em sua carreira no vôlei, Maurício jogou limpo. Diferente de muitos que alternam entre partidos e bandeiras de acordo com o vento político, ele permaneceu firme em seus princípios no PL. Para ele, o mandato não é sobre garantir reeleição; é sobre construir um legado — um Brasil que mantenha suas raízes e seu povo livre de amarras.

Ontem, a Câmara mandou um recado claro ao país: impostos que penalizam ainda mais os trabalhadores brasileiros, como o DPVAT, não têm espaço aqui. E Maurício do Vôlei deixou registrado que está e sempre estará em defesa das pessoas que acreditam num Brasil forte e justo.

Se ontem ele estava nas quadras levantando troféus pelo Brasil, hoje ele ergue as bandeiras da família, da justiça e do povo. Maurício do Vôlei segue sendo um campeão — não só no esporte, mas na vida pública.

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