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Reforma poderia colocar fim a conflitos agrários no Rio Doce e no Brasil

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A conclusão unânime entre participantes da audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na sexta-feira (12/4/24), em Governador Valadares (Vale do Rio Doce) foi de que a reforma agrária é a solução para o fim dos conflitos no campo, no Brasil.

A reunião teve por finalidade debater o aumento da violência no campo na região, especialmente sobre dois crimes que chocaram a população, mas ainda não foram solucionados: dos líderes comunitários José Silva do Nascimento, conhecido como Zé dos Peixes, em junho do ano passado, no assentamento Oziel Alves Pereira, em Valadares, e Silvino Gouveia, em 2017, no Assentamento Liberdade, em Periquitos.

Para a presidenta da comissão, deputada Andréia de Jesus (PT), a falta de política e compromisso pela distribuição da terra no Brasil agrava e motiva os conflitos. “As terras ainda estão concentradas nas mãos de colonizadores, seja de mineradoras ou agronegócio”, lamentou.

Ela relatou que dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que, em 2022, foram registrados 2.018 ocorrências de conflitos agrários no Brasil; e somente no primeiro semestre do ano passado, foram 973, a maioria por terra (791). O país, segundo a deputada, é o quarto do mundo em assassinatos de defensores de direitos humanos com 169 casos ocorridos entre 2019 e 2022. “A vida tem que vir antes que a propriedade”, preconizou.

O deputado Leleco Pimentel (PT) e o procurador do Ministério Público Afonso Henrique de Miranda Teixeira defenderam a utilização de terras devolutas (pertencentes ao Estado e ainda sem destinação) para a reforma agrária. “É preciso dar terra para produzir, para apaziguar o campo”, reforçou o parlamentar. A medida evitaria injetar dinheiro da união, segundo o procurador. “Nosso compromisso é pela reforma agrária, a defesa de vidas e da agricultura familiar”.

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Além da repartição de terras, Andréia de Jesus defendeu a reparação financeira de familiares das vítimas dos conflitos agrários. “Enquanto não há reforma agrária, cada uma dessas mortes é responsabilidade do Estado”, argumentou. Em sua opinião, geralmente o direito penal não atinge os privilegiados que cometem o crime e, sim, negros, trabalhadores e pobres. “Precisa doer no bolso do governador para a gente mudar a realidade”.

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O deputado federal Leonardo Monteiro (PT/MG) disse que a região do Rio Doce tem, desde sua formação, um histórico de violência e enfrentamento entre minorias e colonizadores. “Precisamos de uma sociedade de paz em Governador Valadares e aqui no Vale do Rio Doce”. Seu colega da Câmara, deputado Padre João, complementou: “o remédio principal é a reforma agrária”.

Morosidade contribuiria para violência

A demora na solução dos conflitos e dos crimes pela disputa de terras foi apontada pela maioria dos participantes da audiência como um fator que estimula ainda mais a violência no campo.

A reunião foi acompanhada por trabalhadores rurais de assentamentos da região, familiares e amigos de Zé do Peixe. Eles se emocionaram em vários momentos com a lembrança do líder comunitário – reconhecido como uma pessoa humilde e que lutava sempre por causas coletivas, pelo bem-estar da comunidade. Sua filha, Crislaine Pereira do Nascimento, nem conseguiu dar seu depoimento. “A única coisa que peço é justiça”, resumiu, com a voz embargada.

Os dois casos foram fartamente citados como exemplos de impunidade. Sílvio Neto, diretor Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Minas Gerais, lembrou de outros casos também sem solução.

Um deles foi o do massacre no acampamento da Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo (Jequitinhonha/Mucuri), ocorrido em 2004. Na ocasião, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy coordenou a invasão e o ataque armado contra 200 famílias que ocupavam o local, matando cinco agricultores e destruindo casas e plantações. Mesmo a área tendo sido destinada para o assentamento, as famílias continuam aguardando a finalização do processo e a punição do assassino, condenado a 115 anos, mas ainda em liberdade.

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“Isso motiva e estimula mais violência no campo. O Estado brasileiro não pode ser conivente”, advertiu. Ele denunciou o incêndio criminoso que destruiu o Acampamento Padre Gino, no Município de Frei Inocêncio (Rio Doce), na última quarta-feira (10/4).

A demora na solução das mortes de Silvino Gouveia e Zé do Peixe foi cobrada da titular da Delegacia de Homicídios de Governador Valadares, Adeliana Xavier. A delegada justificou a morosidade pela falta de pessoal e estrutura do órgão. Segundo ela, tramitam na delegacia três mil inquéritos de homicídios consumados e tentados, para serem analisados por apenas três delegados e dez investigadores.

Ela admitiu ter tomado conhecimento do caso de Silvino apenas após ser procurada pela Comissão de Direitos Humanos. O inquérito estava parado e foi retomado. Segundo Adeliana, em até três meses será concluído.

Sobre a morte de Zé dos Peixes, disse que apenas um dos dois suspeitos do crime foi identificado por uma das testemunhas, mas ainda não foi localizado. Segundo ela, faltam perícias em celulares apreendidos, trabalho realizado apenas em Belo Horizonte e que pode levar até 6 meses para ser finalizado.

Adeliana Xavier sugeriu que as pessoas envolvidas em conflitos procurem a delegacia para pressionar pelo andamento. “Quando um caso volta do fórum para ter mais prazo de apuração, vai para o fim da fila”, admitiu. Segundo ela, o nível de violência está muito alto na cidade, que já registrou 30 homicídios de janeiro a março deste ano.

Fonte: Assembleia Legislativa de MG

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ESPORTES

De campeão olímpico a campeão do povo: Maurício do Vôlei reafirma compromisso com os brasileiros e derrota o retorno do DPVAT

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Ontem foi escrita mais uma página de uma história que já inspirou milhares de brasileiros. A Câmara dos Deputados rejeitou a volta do famigerado DPVAT, o imposto que, durante anos, pesou no bolso de milhões de cidadãos. Entre os nomes que se destacaram nesta batalha, está o deputado federal Maurício do Vôlei, um homem cuja trajetória é marcada pela entrega, pela superação e pelo compromisso inabalável com a nação.

No início do ano passado, ao votar favoravelmente à retomada do DPVAT por engano, Maurício não fugiu de sua responsabilidade. Reconheceu o erro publicamente e, com humildade, pediu desculpas ao povo brasileiro, mostrando que lideranças fortes também sabem ser humanas. Desde então, o deputado trabalhou incansavelmente para provar que sua luta vai além de um voto ou de um discurso — ela é pela proteção dos valores que sustentam nosso país: a família, a fé e a liberdade.

“Sempre defenderei os brasileiros, assim como defendi as cores da bandeira nas quadras. Minha missão não mudou. Não sou daqueles que mudam de camisa para agradar ou vencer uma eleição. Fui, sou e sempre serei conservador, defensor da família, do trabalho honesto e do futuro das próximas gerações”, afirmou o parlamentar, emocionado, logo após a vitória no plenário.

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Assim como em sua carreira no vôlei, Maurício jogou limpo. Diferente de muitos que alternam entre partidos e bandeiras de acordo com o vento político, ele permaneceu firme em seus princípios no PL. Para ele, o mandato não é sobre garantir reeleição; é sobre construir um legado — um Brasil que mantenha suas raízes e seu povo livre de amarras.

Ontem, a Câmara mandou um recado claro ao país: impostos que penalizam ainda mais os trabalhadores brasileiros, como o DPVAT, não têm espaço aqui. E Maurício do Vôlei deixou registrado que está e sempre estará em defesa das pessoas que acreditam num Brasil forte e justo.

Se ontem ele estava nas quadras levantando troféus pelo Brasil, hoje ele ergue as bandeiras da família, da justiça e do povo. Maurício do Vôlei segue sendo um campeão — não só no esporte, mas na vida pública.

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