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Terceirizados da educação em Betim relatam abusos cometidos por IDDS

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Trabalhadores da educação contratados pelo Instituto de Dignidade e Desenvolvimento Social (IDDS), em Betim (Região Metropolitana de Belo Horizonte) denunciaram uma série de irregularidades e abusos cometidos por essa organização social (OS). Fruto da terceirização, pela prefeitura local, para prestar serviços educacionais, o IDDS contrata cerca de 4.300 trabalhadores, que atuam em 66 escolas municipais e 28 centros infantis municipais (CIM).

As denúncias foram feitas em reunião da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (15/5/24). Solicitada pela presidenta da comissão, deputada Beatriz Cerqueira (PT), a audiência pública teve como foco buscar medidas para solucionar os problemas enfrentados por esses trabalhadores.

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Professores e funcionários das áreas administrativa e de serviços gerais fizeram críticas severas à maneira como o IDDS tem tratado todo o corpo funcional. Bruno Nascimento, professor de geografia, relatou que os salários vem sendo pagos com atraso há 16 meses: “Não há justificativa para atrasar; as pessoas precisam comer; isso é cruel”.

Rememorou que ele e colegas decidiram criar uma comissão para negociar com a empresa, em abril deste ano, sob intermediação da Superintendência Regional do Trabalho (SRT). Em resposta, afirmou, o IDDS enviou cartas ameaçando de demissão os que participassem desse movimento. E após isso, demitiu quase todos que estavam na comissão.

Bruno apelou ao Ministério Público do Trabalho para que aja nessa causa e fez críticas ao Sindicato dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas de Minas Gerais (Sintibref). Disse que a entidade tinha recebido cerca de R$ 178 mil em quatro anos de atuação e nunca representou a categoria. Acrescentou que o sindicato não tomou nenhuma atitude em relação às denúncias à SRT. E afirmou que a última Convenção Coletiva de trabalho foi feita na surdina, sem a participação dos trabalhadores, “nos fazendo pensar que o sindicato está a favor da empresa”.

Sem vale-alimentação

Também professor de geografia, Vinícius Pereira, acrescentou que o IDDS cancelou o “Clínica de Todos”, plano de saúde da categoria, mas deixou uma dívida para cada funcionário. “Eu, por exemplo, tenho dívida de R$ 40”. Sobre o vale-alimentação, disse que a empresa não deposita para ele, alegando que seu salário é maior que R$ 2800. “Mas se eu dobro a carga horária, entendo que tenho direito”, afirmou ele, contrapondo que, em Contagem (RMBH) é pago o vale para as pessoas que trabalham em dois turnos.

Quanto às férias, relatou que dois supervisores do IDDS queriam coagi-lo a assinar um documento com data antiga: “A CLT diz que todo empregado, para entrar em férias, deve ser avisado com 30 dias de antecedência; a empresa não cumpriu isso e queria me obrigar a assinar um documento como se tivesse cumprido”.

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Criticou também a falta de um e-mail institucional do instituto, que só se comunica por whatsapp, e de forma desrespeitosa. “Quando fizemos paralisação para receber o salário atrasado, colocaram ‘paus-mandados’ do RH da IDDS com faixas contra a paralisação”, criticou. Declarou que a empresa fez proposta de pagar o reajuste atrasado em 8 vezes, mas a categoria aceitou parcelamento em duas.

Relatou que, ao fim de cada ano, os trabalhadores terceirizados se sentem humilhados, porque não recebem o rateio do Fundeb, diferentemente dos efetivos. Além disso, o salário dos primeiros é R$ 1 mil menor: “A questão da isonomia é muito prejudicial para nós, que fazemos trabalho de excelência e recebemos a menos”. Por fim, lembrou que o IDDS anunciou a demissão de 432 trabalhadores, sob o argumento de que o município está chamando concursados. “Mas a prefeitura só nomeia um ou dois por mês”, reagiu.

Adoecimento e cansaço

Também professora, Regiane Pereira, repisou denúncias dos colegas, e confirmou que foi demitida após participar da mobilização. “Estamos adoecidos e cansados pois tudo que vivemos é humilhante, desgastante”, lamentou. Gislene Alves, secretária escolar, também demitida, relatou que não foi dada a ela a oportunidade nem de se despedir dos colegas e dos alunos. “Foi de uma total falta de respeito com os profissionais da educação”.

Maria Raquel Ferreira, merendeira, disse que foi a única da comissão não demitida, mas que vem passando por situações de assédio. Trabalhando em dupla com outra merendeira, declarou que a colega se acidentou, obrigando-a a assumir todo o trabalho sozinha. “Às vezes, não consigo fazer o horário de almoço, mas a empresa diz que devo bater o intervalo nesse horário, mesmo sem almoçar”, concluiu.

Sindicato nega que tenha se omitido da representação

A advogada do Sintibref, Aneliane Patrícia Santana, negou que a entidade tenha sido omissa na representação dos interesses dos profissionais de educação de Betim. Segundo ela, há duas ações judiciais do sindicato, uma cobrando o pagamento do reajuste salarial de 2023 e outra contestando a demissão em massa promovida pelo IDDS.

Sobre a cobrança do reajuste, a advogada afirmou que há sentença determinando o pagamento, mas como o processo está em andamento, não foi definido prazo para pagamento dos valores.

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A profissional afirmou ainda que o sindicato decidiu não comparecer à reunião entre Secretaria de Educação de Betim e Ministério do Trabalho, que teria acontecido nesta quarta (15). A decisão teria sido tomada porque a reunião não foi marcada com antecedência e seria uma manobra do IDDS para alegar a ilegalidade da paralisação dos trabalhadores, sob o argumento de que ainda ocorreria negociação. “A reunião não foi reivindicada pelo sindicato”, afirmou. Ela disse também que o Sintibref tem informações de que a empresa não recolhe o FGTS de todos os trabalhadores.

Tentativa de esvaziar audiência pública

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) afirmou que a reunião realizada pelo IDDS no mesmo dia da audiência pública foi também uma tentativa de esvaziar o evento promovido pela ALMG. “Muito hábil fazer essa reunião no dia da nossa audiência; essa reunião está sendo muito temida, mas ninguém teme se está pagando o que deve”, avaliou.

“O IDDS não tem como explicar o que está fazendo com seus trabalhadores e, para não prestar contas sobre isso, foram a outra reunião”, disse a deputada. “Esse sistema de OS começa muito bem, depois começam a precarizar o serviço e aí eles somem, porque já alcançaram seus objetivos. E quem deveria defender vocês não defende”, acrescentou.

Como principais encaminhamentos, a deputada anunciou que vai acionar o Tribunal de Contas do Estado para que fiscalize o descumprimento de pontos do contrato pelo IDDS. Vai também acionar o Ministério Público do Trabalho para que cobre da Prefeitura e do instituto o cumprimento de direitos trabalhistas.

Legitimidade

A presidenta do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro), Valéria Morato, afirmou que o movimento desses trabalhadores cumpriu os requisitos para sua legalidade. “O IDDS está descumprindo suas obrigações contratuais; cabe ao município fiscalizar e romper esse contrato”, cobrou. Também registrou que o instituto está contestando judicialmente a legalidade da representação exercida pelo Sinpro, depois que este advertiu extrajudicialmente o IDDS para que não promovesse assédio moral contra os trabalhadores.

O diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) – Subsede Betim, José Luiz Rodrigues, afirmou que a história de luta da entidade garante sua legitimidade para representar os trabalhadores de Betim. Defendeu também concurso público para todos os cargos da educação no município como a melhor solução para os problemas e abusos relatados na audiência pública.

Fonte: Assembleia Legislativa de MG

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ESPORTES

De campeão olímpico a campeão do povo: Maurício do Vôlei reafirma compromisso com os brasileiros e derrota o retorno do DPVAT

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Ontem foi escrita mais uma página de uma história que já inspirou milhares de brasileiros. A Câmara dos Deputados rejeitou a volta do famigerado DPVAT, o imposto que, durante anos, pesou no bolso de milhões de cidadãos. Entre os nomes que se destacaram nesta batalha, está o deputado federal Maurício do Vôlei, um homem cuja trajetória é marcada pela entrega, pela superação e pelo compromisso inabalável com a nação.

No início do ano passado, ao votar favoravelmente à retomada do DPVAT por engano, Maurício não fugiu de sua responsabilidade. Reconheceu o erro publicamente e, com humildade, pediu desculpas ao povo brasileiro, mostrando que lideranças fortes também sabem ser humanas. Desde então, o deputado trabalhou incansavelmente para provar que sua luta vai além de um voto ou de um discurso — ela é pela proteção dos valores que sustentam nosso país: a família, a fé e a liberdade.

“Sempre defenderei os brasileiros, assim como defendi as cores da bandeira nas quadras. Minha missão não mudou. Não sou daqueles que mudam de camisa para agradar ou vencer uma eleição. Fui, sou e sempre serei conservador, defensor da família, do trabalho honesto e do futuro das próximas gerações”, afirmou o parlamentar, emocionado, logo após a vitória no plenário.

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Assim como em sua carreira no vôlei, Maurício jogou limpo. Diferente de muitos que alternam entre partidos e bandeiras de acordo com o vento político, ele permaneceu firme em seus princípios no PL. Para ele, o mandato não é sobre garantir reeleição; é sobre construir um legado — um Brasil que mantenha suas raízes e seu povo livre de amarras.

Ontem, a Câmara mandou um recado claro ao país: impostos que penalizam ainda mais os trabalhadores brasileiros, como o DPVAT, não têm espaço aqui. E Maurício do Vôlei deixou registrado que está e sempre estará em defesa das pessoas que acreditam num Brasil forte e justo.

Se ontem ele estava nas quadras levantando troféus pelo Brasil, hoje ele ergue as bandeiras da família, da justiça e do povo. Maurício do Vôlei segue sendo um campeão — não só no esporte, mas na vida pública.

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