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Ministério encerra pesca artesanal de tainha após atingir 90% da cota em apenas 19 dias

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O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) encerrou a pesca artesanal de tainha na modalidade de emalhe anilhado, após alcançar 90% da cota de 586 toneladas estabelecida para a safra de 2024. Essa modalidade, predominante nos litorais de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, foi interrompida apenas 19 dias após o início da temporada.

Segundo o comunicado oficial, as embarcações autorizadas que ainda estiverem em atividade poderão desembarcar a última captura de tainha até 24 horas após a publicação da decisão no Diário Oficial da União. A pesca anilhada utiliza redes adaptadas para criar um cesto fechado, impedindo a fuga dos peixes. Em contrapartida, a pesca industrial ou cerco/traineira, autorizada para oito embarcações, tem uma cota de 480 toneladas e está permitida de 1º de junho a 31 de julho, ou até atingir o volume estabelecido.

Outras modalidades, como a pesca de arrasto de praia, não estão sujeitas a cotas. A pesca artesanal sem anilhas em embarcações menores (com arqueação bruta até 10) está liberada de 15 de maio a 15 de outubro. Para embarcações maiores, a temporada vai de 15 de maio a 31 de julho.

Martin Dias, diretor científico da Oceana Brasil, uma ONG internacional voltada para a preservação dos oceanos, explicou que a cota da pesca anilhada se esgotou rapidamente devido a uma combinação de fatores, como uma cota considerada baixa e uma temporada de pesca muito intensa. A tainha, sendo um peixe migratório, forma grandes cardumes próximos à costa, permitindo capturas significativas quando as condições ambientais são favoráveis. Um único arrastão de praia pode capturar até 70 toneladas de tainha de uma vez.

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Desde 2018, o governo define cotas anuais baseadas em avaliações de estoque do ano anterior, visando a sustentabilidade dos recursos pesqueiros. Contudo, Dias apontou que a falta de ajustes nas cotas tem sido um problema. Quando a política de cotas foi introduzida, as modalidades de emalhe anilhado e pesca industrial representavam 60% da produção de tainha, mas atualmente, essas modalidades correspondem a apenas 10% da produção total.

As avaliações recentes dos estoques de tainha têm recomendado uma redução na pesca, enquanto as frotas não sujeitas a cotas têm aumentado sua produção. Desde 2017, a distribuição das cotas pelo governo federal não sofreu mudanças significativas. Na época da introdução das cotas, 60% da pesca de tainha ocorria em Santa Catarina, enquanto os outros 40% eram distribuídos entre outros estados. Entretanto, a produção na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, que não está sujeita a cotas, aumentou significativamente, passando de 600-800 toneladas para 4.000-5.000 toneladas.

Em 2018, a cota de emalhe anilhado, predominantemente utilizada na costa catarinense, era de 1.200 toneladas, o dobro da cota atual. Dias observou que as condições favoráveis e a abundância de tainha ao largo da costa de Santa Catarina contribuíram para o rápido esgotamento da cota deste ano.

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Apesar da tainha representar um mercado menor em comparação com a sardinha e a corvina, com um valor estimado entre R$ 30 milhões e R$ 35 milhões, a pesca de tainha possui grande importância cultural para as comunidades pesqueiras de Santa Catarina, que mantêm essa tradição há mais de 200 anos.

O modelo de cotas é amplamente utilizado em nível internacional. Neste ano, após muita discussão, o governo federal também estabeleceu uma cota para a captura da lagosta, o principal produto de exportação pesqueira do Brasil, que rendeu US$ 76 milhões em 2023.

Na Lagoa dos Patos, local de pesca da tainha no Rio Grande do Sul, a temporada ocorreu antes das enchentes que levaram à decretação de calamidade pública em várias cidades gaúchas. Martin Dias expressou preocupação com o impacto das enchentes e a incerteza sobre a capacidade do estado de produzir tainha, camarão, linguado e outros peixes na próxima temporada.

Fonte: Pensar Agro

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A Explosão nos Preços do Café: Como os Desafios Climáticos e o Mercado Global Impactaram a Safra de 2024

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Minas Gerais, que representa aproximadamente 30% da produção nacional de café, teve sua safra de 2024 seriamente comprometida pelas condições climáticas adversas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção do grão no estado caiu 3,3% em relação ao ano anterior, totalizando 28,05 milhões de sacas de 60 quilos. Esse número ficou abaixo das expectativas iniciais, que previam uma safra de 30,1 milhões de sacas, 4,1% maior que a de 2023.

As mudanças climáticas, exacerbadas por fenômenos como o El Niño, trouxeram temperaturas mais altas do que o normal, estresse hídrico severo e uma seca prolongada, fatores que dificultaram o desenvolvimento saudável dos cafezais. Além disso, eventos pontuais de granizo também contribuíram para a perda de produção em algumas regiões cafeeiras de Minas Gerais. O café, como planta de clima tropical, é especialmente sensível a variações extremas de temperatura e precipitação, e esses eventos adversos afetaram tanto a qualidade quanto a quantidade da safra.   A valorização da saca de café, que já era um reflexo das flutuações do mercado global, alcançou níveis impressionantes em 2024, com uma alta média de 115% de janeiro a dezembro.

A Escassez Global e o Impacto no Mercado

Colheita de Café na Colômbia

No cenário internacional, a produção de café também enfrentou dificuldades. O Vietnã, maior produtor de café robusta do mundo, foi afetado por uma forte seca, o que reduziu significativamente sua produção. Já a Colômbia, tradicionalmente conhecida pela produção de café arábica de alta qualidade, também sofreu com chuvas irregulares e problemas fitossanitários, o que resultou em uma redução expressiva no volume exportado.

Esses problemas climáticos não são fenômenos isolados, mas fazem parte de uma tendência crescente de instabilidade climática nos principais países produtores de café. O impacto global dessa queda na produção gerou um descompasso entre oferta e demanda, o que resultou em um aumento acentuado nos preços do café no mercado internacional. Com a escassez de grãos de qualidade, os preços dispararam, e o café, que já é um dos produtos mais negociados no mundo, se tornou ainda mais valorizado.

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A Valorização da Saca de Café

O reflexo dessa escassez foi sentido diretamente no preço do café, que viu uma valorização de quase 115% do início de janeiro até meados de dezembro de 2024. Essa alta é uma das mais expressivas da história recente, e os impactos podem ser sentidos tanto no campo quanto nas prateleiras de supermercados. Produtores e cooperativas, que viram suas margens de lucro crescerem, enfrentam, no entanto, o dilema de como equilibrar os custos de produção, que também aumentaram, especialmente devido ao uso de tecnologias e insumos para mitigar os efeitos da seca.

A Cooxupé, uma das maiores cooperativas de café do mundo, com sede em Minas Gerais, tem monitorado de perto essas flutuações e auxiliado os produtores a gerenciar as consequências das condições climáticas extremas. A cooperativa, que tem grande participação na comercialização do café brasileiro, também se preocupa com o impacto da alta de preços sobre os consumidores, que podem ver o aumento refletido no preço do café torrado e moído.

O Futuro da Produção de Café no Brasil

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A situação de 2024 levanta questões importantes sobre o futuro da produção de café no Brasil e no mundo. O aumento nas temperaturas médias, a maior frequência de secas e a irregularidade das chuvas estão criando um cenário de incerteza para os produtores. Cientistas e agrônomos têm se dedicado a estudar novas variedades de café mais resistentes ao estresse hídrico e a mudanças climáticas. Além disso, práticas agrícolas sustentáveis, como o uso de tecnologias para otimização do uso da água e o controle de pragas, ganham cada vez mais importância.

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O Brasil, que já ocupa a posição de maior produtor de café do mundo, precisa investir em inovação tecnológica e em práticas de cultivo adaptativas para manter sua competitividade no mercado global. A boa notícia é que, apesar das adversidades enfrentadas em 2024, o país ainda tem um enorme potencial de produção, e muitos agricultores têm se mostrado resilientes, ajustando suas práticas para lidar com as mudanças climáticas e minimizar seus impactos.

Conclusão: Desafios e Oportunidades

A safra de café de 2024 foi marcada por desafios climáticos significativos, mas também por uma alta expressiva nos preços, consequência da escassez de grãos no mercado internacional. A combinação entre clima adverso no Brasil e em outros países produtores, juntamente com uma oferta limitada de café, levou a uma valorização histórica da saca de café, com impacto direto tanto para produtores quanto para consumidores.

O futuro da cafeicultura no Brasil depende de uma abordagem estratégica que combine inovações tecnológicas, práticas sustentáveis e uma gestão mais eficaz dos recursos hídricos. Com o mercado global cada vez mais volátil, o Brasil, e especialmente Minas Gerais, têm a oportunidade de continuar sendo líderes na produção mundial de café, mas a adaptação às mudanças climáticas será fundamental para garantir a sustentabilidade a longo prazo do setor.

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Reportagem e pesquisa feitas por Alex Cavalcante – Jornalista e Técnico em Agropecuária – Ex-chefe de AGricultura e Meio Ambiente de Alpinópolis https://www.instagram.com/gmaisbrazil/

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