Rural
Nova medida provisória do governo aumenta tributos e paralisa setor agroindustrial

A publicação da Medida Provisória 1.227 pelo Governo Federal está gerando apreensão entre empresas compradoras de grãos e outras do setor agroindustrial. A MP propõe restrições ao uso de créditos tributários do PIS/Cofins para abatimento de outros impostos e elimina o ressarcimento em dinheiro do crédito presumido, deixando muitas empresas em estado de incerteza e suspensão de operações.
A medida pegou de surpresa o setor produtivo, que já enfrenta desafios significativos. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) em Brasília está se mobilizando para tentar derrubar a MP. Entre os produtores, o sentimento é de desamparo, e entre as empresas, há um claro desestímulo, resultando em uma paralisação temporária até que mais detalhes sejam esclarecidos.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (foto), expressou sua preocupação, afirmando que a nova medida representa um aumento significativo na tributação, que pesará na aquisição de insumos e equipamentos. “Essa medida traz uma preocupação gigantesca ao agronegócio brasileiro e expõe ainda mais a ‘senha arrecadatória’ do governo Lula”, disse Lupion.
Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, destacou que, apesar das informações ainda serem preliminares, o impacto financeiro será inevitável. “O impacto nas exportadoras é grande porque na saída das exportadoras o PIS/Cofins é isento. Então, ela gera um crédito na entrada e não consegue aproveitar esse crédito na saída. Na prática, aumenta a carga tributária da empresa e é no produtor que vai bater isso”, explicou Palavro.
Mario Mariano, diretor da Agrosoya, confirmou que muitas empresas estão esperando orientações de seus departamentos fiscais e jurídicos para entenderem os impactos completos. “Há uma evidência clara de que as novas condições de preços aos produtores serão reduzidas devido à perda parcial do imposto PIS/Cofins na cadeia”, detalhou Mariano.
Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, reforçou que essa é mais uma adversidade para os produtores. “Se as empresas não poderão compensar o PIS/Cofins em seus tributos, terão que pagar menos ao produtor. O governo está tirando recursos de onde acha que tem condições. É a ganância dos impostos”, criticou Brandalizze.
Além do setor de grãos, os segmentos de café e carnes também manifestaram sua preocupação. O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) criticou a revogação de dispositivos que concedem crédito presumido para o café nas exportações, alegando que isso cria uma “desproporcional e inconstitucional restrição a não cumulatividade” e compromete a competitividade do café brasileiro no mercado internacional.
A Abrafrigo, que representa as indústrias frigoríficas, destacou que a medida provisória terá um impacto severo, especialmente nas pequenas e médias empresas do setor. “Os impactos serão ainda mais graves para as pequenas e médias empresas, que sofrerão com o acúmulo de créditos tributários de PIS/COFINS, comprometendo ainda mais o fluxo financeiro dessas empresas”, alertou a associação.
Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), compartilhou sua avaliação sobre a situação. “A decisão de restringir o uso de créditos tributários do PIS/Cofins e acabar com o ressarcimento em dinheiro prejudica toda a cadeia produtiva, desde os grandes exportadores até os pequenos produtores. Precisamos de políticas que incentivem e fortaleçam nossos produtores, não que os coloquem em desvantagem competitiva”, afirmou Rezende.
A FPA e outras entidades do setor agroindustrial estão se articulando para tentar reverter os efeitos da MP e proteger o agronegócio brasileiro de mais um golpe econômico em um momento já desafiador.
Fonte: Pensar Agro


GENTE QUE ALIMENTA
A Explosão nos Preços do Café: Como os Desafios Climáticos e o Mercado Global Impactaram a Safra de 2024

Minas Gerais, que representa aproximadamente 30% da produção nacional de café, teve sua safra de 2024 seriamente comprometida pelas condições climáticas adversas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção do grão no estado caiu 3,3% em relação ao ano anterior, totalizando 28,05 milhões de sacas de 60 quilos. Esse número ficou abaixo das expectativas iniciais, que previam uma safra de 30,1 milhões de sacas, 4,1% maior que a de 2023.
As mudanças climáticas, exacerbadas por fenômenos como o El Niño, trouxeram temperaturas mais altas do que o normal, estresse hídrico severo e uma seca prolongada, fatores que dificultaram o desenvolvimento saudável dos cafezais. Além disso, eventos pontuais de granizo também contribuíram para a perda de produção em algumas regiões cafeeiras de Minas Gerais. O café, como planta de clima tropical, é especialmente sensível a variações extremas de temperatura e precipitação, e esses eventos adversos afetaram tanto a qualidade quanto a quantidade da safra. A valorização da saca de café, que já era um reflexo das flutuações do mercado global, alcançou níveis impressionantes em 2024, com uma alta média de 115% de janeiro a dezembro.
A Escassez Global e o Impacto no Mercado

Colheita de Café na Colômbia
No cenário internacional, a produção de café também enfrentou dificuldades. O Vietnã, maior produtor de café robusta do mundo, foi afetado por uma forte seca, o que reduziu significativamente sua produção. Já a Colômbia, tradicionalmente conhecida pela produção de café arábica de alta qualidade, também sofreu com chuvas irregulares e problemas fitossanitários, o que resultou em uma redução expressiva no volume exportado.
Esses problemas climáticos não são fenômenos isolados, mas fazem parte de uma tendência crescente de instabilidade climática nos principais países produtores de café. O impacto global dessa queda na produção gerou um descompasso entre oferta e demanda, o que resultou em um aumento acentuado nos preços do café no mercado internacional. Com a escassez de grãos de qualidade, os preços dispararam, e o café, que já é um dos produtos mais negociados no mundo, se tornou ainda mais valorizado.
A Valorização da Saca de Café
O reflexo dessa escassez foi sentido diretamente no preço do café, que viu uma valorização de quase 115% do início de janeiro até meados de dezembro de 2024. Essa alta é uma das mais expressivas da história recente, e os impactos podem ser sentidos tanto no campo quanto nas prateleiras de supermercados. Produtores e cooperativas, que viram suas margens de lucro crescerem, enfrentam, no entanto, o dilema de como equilibrar os custos de produção, que também aumentaram, especialmente devido ao uso de tecnologias e insumos para mitigar os efeitos da seca.
A Cooxupé, uma das maiores cooperativas de café do mundo, com sede em Minas Gerais, tem monitorado de perto essas flutuações e auxiliado os produtores a gerenciar as consequências das condições climáticas extremas. A cooperativa, que tem grande participação na comercialização do café brasileiro, também se preocupa com o impacto da alta de preços sobre os consumidores, que podem ver o aumento refletido no preço do café torrado e moído.
O Futuro da Produção de Café no Brasil

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A situação de 2024 levanta questões importantes sobre o futuro da produção de café no Brasil e no mundo. O aumento nas temperaturas médias, a maior frequência de secas e a irregularidade das chuvas estão criando um cenário de incerteza para os produtores. Cientistas e agrônomos têm se dedicado a estudar novas variedades de café mais resistentes ao estresse hídrico e a mudanças climáticas. Além disso, práticas agrícolas sustentáveis, como o uso de tecnologias para otimização do uso da água e o controle de pragas, ganham cada vez mais importância.
O Brasil, que já ocupa a posição de maior produtor de café do mundo, precisa investir em inovação tecnológica e em práticas de cultivo adaptativas para manter sua competitividade no mercado global. A boa notícia é que, apesar das adversidades enfrentadas em 2024, o país ainda tem um enorme potencial de produção, e muitos agricultores têm se mostrado resilientes, ajustando suas práticas para lidar com as mudanças climáticas e minimizar seus impactos.
Conclusão: Desafios e Oportunidades
A safra de café de 2024 foi marcada por desafios climáticos significativos, mas também por uma alta expressiva nos preços, consequência da escassez de grãos no mercado internacional. A combinação entre clima adverso no Brasil e em outros países produtores, juntamente com uma oferta limitada de café, levou a uma valorização histórica da saca de café, com impacto direto tanto para produtores quanto para consumidores.
O futuro da cafeicultura no Brasil depende de uma abordagem estratégica que combine inovações tecnológicas, práticas sustentáveis e uma gestão mais eficaz dos recursos hídricos. Com o mercado global cada vez mais volátil, o Brasil, e especialmente Minas Gerais, têm a oportunidade de continuar sendo líderes na produção mundial de café, mas a adaptação às mudanças climáticas será fundamental para garantir a sustentabilidade a longo prazo do setor.
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Reportagem e pesquisa feitas por Alex Cavalcante – Jornalista e Técnico em Agropecuária – Ex-chefe de AGricultura e Meio Ambiente de Alpinópolis https://www.instagram.com/gmaisbrazil/
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