Rural

Novo plano safra deve destinar R$ 80 bilhões para a agricultura familiar

Publicados

em

O Ministério do Desenvolvimento Agrário solicitou R$ 80 bilhões para o Plano Safra da Agricultura Familiar 2024/25, que deve ser apresentado no início da próxima semana.

O objetivo é fortalecer o setor com um aumento significativo nos recursos, apoio à mecanização, inclusão feminina e descentralização do crédito. As negociações continuam, mas o compromisso do governo é claro: privilegiar os pequenos produtores e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Caso aprovada, a cifra de R$ 80 bilhões representará um aumento de quase 12% em relação aos R$ 71,6 bilhões ofertados na safra 2023/24, que se encerrará no fim deste mês. Entre julho de 2023 e maio deste ano, foram desembolsados R$ 57,8 bilhões para 1,6 milhão de contratos. A maior parte do montante solicitado para o Plano Safra Familiar 2024/25, mais de R$ 52 bilhões, seria destinada à equalização de juros pelo Tesouro Nacional, conforme a demanda das instituições financeiras.

A secretária-executiva do ministério, Fernanda Machiaveli, afirmou que as negociações com a equipe econômica ainda estão em andamento, mas o governo está determinado a atender as necessidades dos pequenos produtores. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sugeriu R$ 100 bilhões para o Pronaf em 2024/25, enquanto o Ministério da Agricultura solicitou R$ 452 bilhões para o Plano Safra empresarial.

Leia Também:  Governo anuncia mais R$ 7,6 bilhões para financiar o novo plano safra

Uma das principais demandas é uma linha de crédito exclusiva para a compra de máquinas de baixa potência, adaptadas para pequenas propriedades. A proposta inclui R$ 1 bilhão em recursos para esses financiamentos, com juros menores que os atuais 5% do programa Mais Alimentos. A Pasta listou maquinários que poderão ser contemplados, com critérios baseados no valor dos equipamentos, restringindo a potência dos tratores e implementos.

Na safra 2023/24, o programa Mais Alimentos teve um desempenho 25% superior, com a contratação de R$ 9,4 bilhões até abril, e o número de contratos cresceu 49%, totalizando 184,8 mil. Segundo Machiaveli, houve articulação com a indústria para melhor atender à demanda por maquinário de menor porte, com testes realizados no Rio Grande do Norte e estímulo à produção no Rio Grande do Sul.

Uma nova iniciativa será a criação do programa Florestas Produtivas, focado no reflorestamento de áreas desmatadas na Amazônia com agroflorestas produtivas em assentamentos da reforma agrária. O programa incluirá uma linha de crédito e assistência técnica específica.

Leia Também:  Levantamento mostra que acesso precário à internet limita o potencial do campo

O ministério também está focado em aumentar a participação feminina no Plano Safra. Na temporada 2023/24, os valores das operações acessadas por mulheres cresceram 150%. A estratégia de desconcentrar o acesso ao crédito também mostrou resultados positivos, com um aumento de 50% no número de contratos no Nordeste e 11% no Norte entre julho de 2023 e maio de 2024.

O volume contratado pelos pequenos produtores nordestinos cresceu 82%, para R$ 9,3 bilhões, enquanto no Norte o aumento foi de 14%, atingindo R$ 4 bilhões. A região Sul ainda lidera o acesso, com R$ 28,2 bilhões.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

GENTE QUE ALIMENTA

A Explosão nos Preços do Café: Como os Desafios Climáticos e o Mercado Global Impactaram a Safra de 2024

Publicados

em

 

Minas Gerais, que representa aproximadamente 30% da produção nacional de café, teve sua safra de 2024 seriamente comprometida pelas condições climáticas adversas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção do grão no estado caiu 3,3% em relação ao ano anterior, totalizando 28,05 milhões de sacas de 60 quilos. Esse número ficou abaixo das expectativas iniciais, que previam uma safra de 30,1 milhões de sacas, 4,1% maior que a de 2023.

As mudanças climáticas, exacerbadas por fenômenos como o El Niño, trouxeram temperaturas mais altas do que o normal, estresse hídrico severo e uma seca prolongada, fatores que dificultaram o desenvolvimento saudável dos cafezais. Além disso, eventos pontuais de granizo também contribuíram para a perda de produção em algumas regiões cafeeiras de Minas Gerais. O café, como planta de clima tropical, é especialmente sensível a variações extremas de temperatura e precipitação, e esses eventos adversos afetaram tanto a qualidade quanto a quantidade da safra.   A valorização da saca de café, que já era um reflexo das flutuações do mercado global, alcançou níveis impressionantes em 2024, com uma alta média de 115% de janeiro a dezembro.

A Escassez Global e o Impacto no Mercado

Colheita de Café na Colômbia

No cenário internacional, a produção de café também enfrentou dificuldades. O Vietnã, maior produtor de café robusta do mundo, foi afetado por uma forte seca, o que reduziu significativamente sua produção. Já a Colômbia, tradicionalmente conhecida pela produção de café arábica de alta qualidade, também sofreu com chuvas irregulares e problemas fitossanitários, o que resultou em uma redução expressiva no volume exportado.

Esses problemas climáticos não são fenômenos isolados, mas fazem parte de uma tendência crescente de instabilidade climática nos principais países produtores de café. O impacto global dessa queda na produção gerou um descompasso entre oferta e demanda, o que resultou em um aumento acentuado nos preços do café no mercado internacional. Com a escassez de grãos de qualidade, os preços dispararam, e o café, que já é um dos produtos mais negociados no mundo, se tornou ainda mais valorizado.

Leia Também:  Apple TV+ pode lançar plano com anúncios, seguindo ideia da Netflix

A Valorização da Saca de Café

O reflexo dessa escassez foi sentido diretamente no preço do café, que viu uma valorização de quase 115% do início de janeiro até meados de dezembro de 2024. Essa alta é uma das mais expressivas da história recente, e os impactos podem ser sentidos tanto no campo quanto nas prateleiras de supermercados. Produtores e cooperativas, que viram suas margens de lucro crescerem, enfrentam, no entanto, o dilema de como equilibrar os custos de produção, que também aumentaram, especialmente devido ao uso de tecnologias e insumos para mitigar os efeitos da seca.

A Cooxupé, uma das maiores cooperativas de café do mundo, com sede em Minas Gerais, tem monitorado de perto essas flutuações e auxiliado os produtores a gerenciar as consequências das condições climáticas extremas. A cooperativa, que tem grande participação na comercialização do café brasileiro, também se preocupa com o impacto da alta de preços sobre os consumidores, que podem ver o aumento refletido no preço do café torrado e moído.

O Futuro da Produção de Café no Brasil

DALL·E-2024-12-28-12.12.24-An-illustration-of-a-coffee-bean-with-upward-trending-graphs-and-a-rising-price-tag-symbolizing-the-valuation-and-future-of-coffee-in-the-market.-The.webp

A situação de 2024 levanta questões importantes sobre o futuro da produção de café no Brasil e no mundo. O aumento nas temperaturas médias, a maior frequência de secas e a irregularidade das chuvas estão criando um cenário de incerteza para os produtores. Cientistas e agrônomos têm se dedicado a estudar novas variedades de café mais resistentes ao estresse hídrico e a mudanças climáticas. Além disso, práticas agrícolas sustentáveis, como o uso de tecnologias para otimização do uso da água e o controle de pragas, ganham cada vez mais importância.

Leia Também:  Plano de limpeza da Lagoa da Petrobrás será apresentado em Ibirité

O Brasil, que já ocupa a posição de maior produtor de café do mundo, precisa investir em inovação tecnológica e em práticas de cultivo adaptativas para manter sua competitividade no mercado global. A boa notícia é que, apesar das adversidades enfrentadas em 2024, o país ainda tem um enorme potencial de produção, e muitos agricultores têm se mostrado resilientes, ajustando suas práticas para lidar com as mudanças climáticas e minimizar seus impactos.

Conclusão: Desafios e Oportunidades

A safra de café de 2024 foi marcada por desafios climáticos significativos, mas também por uma alta expressiva nos preços, consequência da escassez de grãos no mercado internacional. A combinação entre clima adverso no Brasil e em outros países produtores, juntamente com uma oferta limitada de café, levou a uma valorização histórica da saca de café, com impacto direto tanto para produtores quanto para consumidores.

O futuro da cafeicultura no Brasil depende de uma abordagem estratégica que combine inovações tecnológicas, práticas sustentáveis e uma gestão mais eficaz dos recursos hídricos. Com o mercado global cada vez mais volátil, o Brasil, e especialmente Minas Gerais, têm a oportunidade de continuar sendo líderes na produção mundial de café, mas a adaptação às mudanças climáticas será fundamental para garantir a sustentabilidade a longo prazo do setor.

Acesse o link para mais notícias como essa !

Reportagem e pesquisa feitas por Alex Cavalcante – Jornalista e Técnico em Agropecuária – Ex-chefe de AGricultura e Meio Ambiente de Alpinópolis https://www.instagram.com/gmaisbrazil/

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

ALPINÓPOLIS E REGIÃO

MINAS GERAIS

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA