Rural
Paraná prorroga plantio de soja por excesso de chuva e Rondônia pela seca

O excesso de chuvas em outubro e novembro afetou significativamente o cronograma agrícola do Paraná levando a uma prorrogação do prazo para o plantio da soja.
Essa situação comprometeu a semeadura de culturas anteriores à soja, como milho e feijão, ou demandou replantio em algumas áreas. Como resultado, a colheita dessas culturas será adiada para o mês de janeiro, segundo informações do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR..
O calendário de plantio da soja foi alvo de controvérsias desde o início. A primeira portaria emitida pelo Mapa (840 de 2023) em 7 de julho reduziu a janela de semeadura para 100 dias, limitando o período para que todo o estado do Paraná realizasse o plantio da cultura, entre 11 de setembro e 19 de dezembro.
Após a Faep reivindicar, por meio de ofício enviado em 12 de julho, o restabelecimento do prazo de 140 dias, o Mapa, apesar das idas e vindas, não atendeu à solicitação inicial.
Somente após a federação sugerir a divisão do estado em ‘lotes’, o Mapa concordou, em 15 de setembro, em segmentar o calendário paranaense em três partes, resultando na configuração atual. Agora, essa configuração, devido às intempéries, foi prorrogado.
SECA – Em Rondônia, a situação é oposta: o Governo do Estado estuda estender o período de plantio da soja devido à seca, prevendo um novo prazo para o término da janela de plantio da safra 2023/24.
A definição da nova data para o plantio será baseada nas previsões oficiais para o período das chuvas. Essa iniciativa é liderada pela Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril (Idaron), visando evitar prejuízos econômicos aos produtores rurais e melhorar a eficiência na produção de uma das principais commodities do Estado.
“Estamos monitorando o plantio da soja em todas as regiões, desde Guajará-Mirim até o Cone Sul. Em sintonia com as necessidades dos agricultores, obtivemos autorização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para ampliar o calendário de plantio.
Agora, aguardamos o início do período chuvoso para determinar uma nova data de encerramento desse calendário, atendendo aos interesses dos produtores”, explicou Jessé de Oliveira, gerente de Inspeção e Defesa Sanitária Vegetal.
CALENDÁRIO OFICIAL – No mês passado, o Mapa publicou a Portaria nº 886, modificando o cronograma de semeadura da soja para a safra 2023/2024 em algumas regiões. Em Rondônia, o período de semeadura foi definido entre 11 de setembro e 20 de dezembro deste ano. Com a nova autorização do Mapa, esse prazo será estendido por um período ainda não especificado.
A produção nacional de soja corresponde a aproximadamente 40% da colheita global. Essa cultura é um dos pilares do agronegócio brasileiro, crucial para a segurança alimentar global. A soja desempenha múltiplos papéis, abastecendo indústrias de alimentos, higiene e energia, além de ser fundamental na alimentação de aves e suínos. O Brasil também é um gigante na exportação dessas duas proteínas animais.
Fonte: Pensar Agro


GENTE QUE ALIMENTA
A Explosão nos Preços do Café: Como os Desafios Climáticos e o Mercado Global Impactaram a Safra de 2024

Minas Gerais, que representa aproximadamente 30% da produção nacional de café, teve sua safra de 2024 seriamente comprometida pelas condições climáticas adversas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção do grão no estado caiu 3,3% em relação ao ano anterior, totalizando 28,05 milhões de sacas de 60 quilos. Esse número ficou abaixo das expectativas iniciais, que previam uma safra de 30,1 milhões de sacas, 4,1% maior que a de 2023.
As mudanças climáticas, exacerbadas por fenômenos como o El Niño, trouxeram temperaturas mais altas do que o normal, estresse hídrico severo e uma seca prolongada, fatores que dificultaram o desenvolvimento saudável dos cafezais. Além disso, eventos pontuais de granizo também contribuíram para a perda de produção em algumas regiões cafeeiras de Minas Gerais. O café, como planta de clima tropical, é especialmente sensível a variações extremas de temperatura e precipitação, e esses eventos adversos afetaram tanto a qualidade quanto a quantidade da safra. A valorização da saca de café, que já era um reflexo das flutuações do mercado global, alcançou níveis impressionantes em 2024, com uma alta média de 115% de janeiro a dezembro.
A Escassez Global e o Impacto no Mercado

Colheita de Café na Colômbia
No cenário internacional, a produção de café também enfrentou dificuldades. O Vietnã, maior produtor de café robusta do mundo, foi afetado por uma forte seca, o que reduziu significativamente sua produção. Já a Colômbia, tradicionalmente conhecida pela produção de café arábica de alta qualidade, também sofreu com chuvas irregulares e problemas fitossanitários, o que resultou em uma redução expressiva no volume exportado.
Esses problemas climáticos não são fenômenos isolados, mas fazem parte de uma tendência crescente de instabilidade climática nos principais países produtores de café. O impacto global dessa queda na produção gerou um descompasso entre oferta e demanda, o que resultou em um aumento acentuado nos preços do café no mercado internacional. Com a escassez de grãos de qualidade, os preços dispararam, e o café, que já é um dos produtos mais negociados no mundo, se tornou ainda mais valorizado.
A Valorização da Saca de Café
O reflexo dessa escassez foi sentido diretamente no preço do café, que viu uma valorização de quase 115% do início de janeiro até meados de dezembro de 2024. Essa alta é uma das mais expressivas da história recente, e os impactos podem ser sentidos tanto no campo quanto nas prateleiras de supermercados. Produtores e cooperativas, que viram suas margens de lucro crescerem, enfrentam, no entanto, o dilema de como equilibrar os custos de produção, que também aumentaram, especialmente devido ao uso de tecnologias e insumos para mitigar os efeitos da seca.
A Cooxupé, uma das maiores cooperativas de café do mundo, com sede em Minas Gerais, tem monitorado de perto essas flutuações e auxiliado os produtores a gerenciar as consequências das condições climáticas extremas. A cooperativa, que tem grande participação na comercialização do café brasileiro, também se preocupa com o impacto da alta de preços sobre os consumidores, que podem ver o aumento refletido no preço do café torrado e moído.
O Futuro da Produção de Café no Brasil

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A situação de 2024 levanta questões importantes sobre o futuro da produção de café no Brasil e no mundo. O aumento nas temperaturas médias, a maior frequência de secas e a irregularidade das chuvas estão criando um cenário de incerteza para os produtores. Cientistas e agrônomos têm se dedicado a estudar novas variedades de café mais resistentes ao estresse hídrico e a mudanças climáticas. Além disso, práticas agrícolas sustentáveis, como o uso de tecnologias para otimização do uso da água e o controle de pragas, ganham cada vez mais importância.
O Brasil, que já ocupa a posição de maior produtor de café do mundo, precisa investir em inovação tecnológica e em práticas de cultivo adaptativas para manter sua competitividade no mercado global. A boa notícia é que, apesar das adversidades enfrentadas em 2024, o país ainda tem um enorme potencial de produção, e muitos agricultores têm se mostrado resilientes, ajustando suas práticas para lidar com as mudanças climáticas e minimizar seus impactos.
Conclusão: Desafios e Oportunidades
A safra de café de 2024 foi marcada por desafios climáticos significativos, mas também por uma alta expressiva nos preços, consequência da escassez de grãos no mercado internacional. A combinação entre clima adverso no Brasil e em outros países produtores, juntamente com uma oferta limitada de café, levou a uma valorização histórica da saca de café, com impacto direto tanto para produtores quanto para consumidores.
O futuro da cafeicultura no Brasil depende de uma abordagem estratégica que combine inovações tecnológicas, práticas sustentáveis e uma gestão mais eficaz dos recursos hídricos. Com o mercado global cada vez mais volátil, o Brasil, e especialmente Minas Gerais, têm a oportunidade de continuar sendo líderes na produção mundial de café, mas a adaptação às mudanças climáticas será fundamental para garantir a sustentabilidade a longo prazo do setor.
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Reportagem e pesquisa feitas por Alex Cavalcante – Jornalista e Técnico em Agropecuária – Ex-chefe de AGricultura e Meio Ambiente de Alpinópolis https://www.instagram.com/gmaisbrazil/
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