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Sem efetivo suficiente e recursos para polícias, crime organizado avança em Teófilo Otoni

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A carência crônica de efetivo e o financiamento precário das forças de segurança do Estado foram apontados como fatores que contribuíram para a situação de tensão enfrentada pela população de Teófilo Otoni (Jequitinhonha/Mucuri), que se viu no meio de uma guerra entre as duas principais facções do crime organizado em atuação no País, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Esse diagnóstico foi feito pelo presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Sargento Rodrigues (PL), em audiência pública realizada na tarde desta segunda-feira (22/4/24).

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O prefeito da cidade, Daniel Batista Sucupira, que também preside a Frente Mineira de Prefeitos (FMP) concordou com a avaliação de Sargento Rodrigues. Ele relatou a situação de penúria das forças de segurança, sobretudo da Polícia Militar (PM), na região, o que exige o apoio permanente da Prefeitura local, situação que se repetiria na maioria dos municípios do interior mineiro.

Cientes disso, os criminosos estariam cada vez mais audaciosos na região. Na madrugada do último dia 8 de março, a residência do cabo PM Jadson Ferreira Chaves em Teófilo Otoni foi alvo de uma saraivada de tiros como forma de intimidação pela atuação da corporação contra o crime organizado. Ameaçado de morte, o militar estava trabalhando no momento e na casa estava sua esposa e filhas, que não se feriram.

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Forma recolhidas várias cápsulas de munição calibre 9 milímetros e registradas dezenas de perfurações no portão, paredes externas, porta de entrada do imóvel e até em um veículo estacionado na garagem. O militar reside próximo à comunidade conhecida como Morro do Eucalipto, palco frequente de tiroteios em meio à disputa por supostos integrantes das duas facções criminosas.

Na audiência da Comissão de Segurança Pública foi exibido um vídeo que tem circulado em redes sociais no qual ao menos dez homens armados com fuzis e submetralhadoras, supostamente membros do CV, ameaçam invadir aquela comunidade em Teófilo Otoni e alertam as forças policiais para não “se intrometer na guerra” com o rival PCC.

Sargento Rodrigues lamentou que atualmente as forças policiais no Estado dependam decisivamente da ajuda financeira, material, de serviços e até de pessoal fornecido pelas prefeituras das cidades onde atuam, diante da omissão do governo estadual. O resultado disso, na avaliação dele, é o avanço do crime organizado paulista, no caso do PCC, e fluminense, no caso do CV, pelo interior de Minas Gerais.

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Segundo o parlamentar, a PM já chegou a ter um efetivo de 45 mil homens e hoje tem apenas 37 mil, enquanto na Polícia Civil o efetivo teria caído de 17 mil para 10,5 mil.

As críticas do prefeito Daniel Sucupira foram na mesma linha. Segundo ele, somente este ano já foram repassados pela Prefeitura R$ 60 mil para a PM no município. E o total de repasses, também para a Polícia Civil, seja na forma de recursos diretos ou outros gastos, como manutenção de viaturas, reformas de unidades e até mesmo cessão de pessoal, chegaria a R$ 2 milhões nos últimos oito anos.

“Mesmo assim, o que estamos vivendo é inédito. A gente só via isso pela televisão, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O sentimento da população é de muito medo”, lamentou o prefeito. Ele elogiou o trabalho desempenhado pelas forças de segurança no município, mesmo diante da situação de abandono, e cobrou medidas urgentes pelo governo estadual.

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O prefeito lembrou ainda que a promoção de segurança pública vai muito além do policiamento ostensivo, em ações visando a geração de emprego e renda e investimentos em educação, assistência social, esporte, lazer e cultura, entre outras áreas.

“Nesse ponto o presente que recebemos do governador para a região do Morro do Eucalipto foi o fechamento da Escola Estadual Irmã Arcângela, o que obrigou a transferência de 232 estudantes para uma escola em outro bairro”, ironizou.

PM garante que situação está sob controle

O diretor de Operações da Polícia Militar, coronel Flávio Godinho Pereira, confirmou a existência de uma disputa entre as duas facções do crime organizado em Teófilo Otoni. Mas minimizou que isso represente uma ameaça real à integridade dos moradores da região.

De acordo com ele, toda a criminalidade está mapeada em ambos os lados, PCC e CV, e a expectativa da corporação é a de apresentar resultados decisivos em curto e médio prazo. Para fazer frente ao problema, segundo ele, foram deslocados efetivos de Belo Horizonte, como guarnições da Rotam, que serão mantidas na cidade até que todos os suspeitos na mira sejam presos.

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De acordo com o coronel, a origem da recente tensão na cidade seria um duplo homicídio em outubro do ano passado, que deu início a uma série de crimes de retaliação entre as duas facções, culminando com o atentado contra a casa do policial militar.

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Ainda segundo o oficial, foram identificados três suspeitos do episódio. Um deles já teria sido morto em confronto com as forças policiais, outro já estaria preso e um terceiro ainda está foragido.

E desde então, de acordo com ele, as operações policiais na região aumentaram 64,3%, com 156 pessoas presas, 112 em flagrante e 12 em cumprimento a mandados judiciais, e as apreensões de arma de fogo subiram 52,94%. Ele também garantiu que a segurança da residência do cabo, que decidiu não se mudar do local, foi reforçada.

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Investigações sob sigilo

Também presentes na audiência, o delegado assistente da Chefia da Polícia Civil de Minas Gerais, Aloísio Daniel Fagundes, e a coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotora Paula Ayres Lima, disseram não poder dar informações detalhadas sobre o confronto entre CV e PCC para não atrapalhar as investigações. Mas ambos também garantiram que em breve serão apresentados resultados importantes.

A atuação da Polícia Civil e Ministério Público estariam acontecendo em colaboração com as forças de segurança paulistas e fluminense e com o apoio até da Polícia Rodoviária Federal (PRF), já que Teófilo Otoni é cortada pela BR-116, que tem trecho no Rio de Janeiro.

O delegado relatou que já foram realizadas três grandes operações pela Polícia Civil contra o crime organizado na região, em janeiro, março e a mais recente no último dia 12, com 81 prisões e apreensão de 55 armas. Atualmente, segundo ele, as investigações têm focado o braço financeiro dessas organizações criminosas, o que tem permitido sua expansão para fora dos territórios de origem.

Já a promotora informou que a atuação do PCC já era conhecida no Sul de Minas e no Triângulo, enquanto o CV se restringia até então à Zona da Mata. A novidade é a chegada dessa facção ao Vale do Jequitinhonha, segundo ela uma região mais violenta, igual ao perfil do Comando Vermelho em comparação com o PCC.

Por fim, a superintendente do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, Ana Luiza Werneck Passos Veronezi, lembrou que, embora ainda não tenham sido registradas ocorrências relacionadas ao fato no sistema prisional e socioeducativo, sua pasta também tem monitorado a tensão em Teófilo Otoni. O episódio inclusive já motivou duas transferências de lideranças criminosas encarceradas na região.

Fonte: Assembleia Legislativa de MG

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De campeão olímpico a campeão do povo: Maurício do Vôlei reafirma compromisso com os brasileiros e derrota o retorno do DPVAT

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Ontem foi escrita mais uma página de uma história que já inspirou milhares de brasileiros. A Câmara dos Deputados rejeitou a volta do famigerado DPVAT, o imposto que, durante anos, pesou no bolso de milhões de cidadãos. Entre os nomes que se destacaram nesta batalha, está o deputado federal Maurício do Vôlei, um homem cuja trajetória é marcada pela entrega, pela superação e pelo compromisso inabalável com a nação.

No início do ano passado, ao votar favoravelmente à retomada do DPVAT por engano, Maurício não fugiu de sua responsabilidade. Reconheceu o erro publicamente e, com humildade, pediu desculpas ao povo brasileiro, mostrando que lideranças fortes também sabem ser humanas. Desde então, o deputado trabalhou incansavelmente para provar que sua luta vai além de um voto ou de um discurso — ela é pela proteção dos valores que sustentam nosso país: a família, a fé e a liberdade.

“Sempre defenderei os brasileiros, assim como defendi as cores da bandeira nas quadras. Minha missão não mudou. Não sou daqueles que mudam de camisa para agradar ou vencer uma eleição. Fui, sou e sempre serei conservador, defensor da família, do trabalho honesto e do futuro das próximas gerações”, afirmou o parlamentar, emocionado, logo após a vitória no plenário.

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Assim como em sua carreira no vôlei, Maurício jogou limpo. Diferente de muitos que alternam entre partidos e bandeiras de acordo com o vento político, ele permaneceu firme em seus princípios no PL. Para ele, o mandato não é sobre garantir reeleição; é sobre construir um legado — um Brasil que mantenha suas raízes e seu povo livre de amarras.

Ontem, a Câmara mandou um recado claro ao país: impostos que penalizam ainda mais os trabalhadores brasileiros, como o DPVAT, não têm espaço aqui. E Maurício do Vôlei deixou registrado que está e sempre estará em defesa das pessoas que acreditam num Brasil forte e justo.

Se ontem ele estava nas quadras levantando troféus pelo Brasil, hoje ele ergue as bandeiras da família, da justiça e do povo. Maurício do Vôlei segue sendo um campeão — não só no esporte, mas na vida pública.

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